Governo e separatistas do Iêmen alcançam acordo para dividir poder

Governo e separatistas do Iêmen alcançam acordo para dividir poder

Desde 2015, coalizão militar liderada pela Arábia Saudita intervém no país em apoio às forças pró-governo contra os houthis, aliados do Irã, que tomaram áreas inteiras do território, especialmente a capital

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2019 | 17h25

RIAD - O governo do Iêmen e os separatistas do sul do país alcançaram um acordo apadrinhado pela Arábia Saudita para compartilhar o poder nesta região e acabar com seu conflito, num país devastado pela guerra, informaram nesta sexta-feira, 25, fontes de ambos os lados. 

Os separatistas do sul são, em princípio, aliados das forças pró-governo na guerra que tem sido travada desde 2014 contra os rebeldes houthis, provenientes do norte e apoiados pelo Irã, o grande rival de Riad. 

Mas, nos últimos meses, uma nova frente de guerra foi aberta entre as forças leais ao governo e os separatistas do sul, que reivindicam a independência da região e assumiram o controle de Áden.

Uma autoridade do governo afirmou que o acordo será assinado em Riad nos próximos dias, com a presença esperada do presidente Abedrabbo Mansur Hadi e do líder separatista Aidarus al Zubeidi.

"A assinatura acontecerá o mais tardar na terça-fera (29 de outubro)", informou uma fonte do governo iemenita reconhecido pela comunidade internacional.

A informação foi confirmada por um membro do Conselho de Transição do Sul (STC), que representa os separatistas. "Assinamos a versão final do acordo e esperamos a assinatura conjunta em alguns dias", confirmou.

O canal público de notícias saudita Al Ekhbariya anunciou no Twitter que "o governo do Iêmen e o STC chegaram a um acordo".

Em virtude do texto, o novo governo deverá introduzir ministros provenientes do STC.  Além disso, prevê um retorno a Áden do governo do presidente, exilado em Riad.

Desde 2015, uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita e seus aliados, particularmente os Emirados Árabes Unidos, intervém no Iêmen em apoio às forças pró-governo contra os houthis, que tomaram áreas inteiras do território, especialmente a capital, Saana.

Áden tornou-se, então, a capital provisória do país. A Arábia Saudita apadrinhou negociações entre os dois lados em Jedá, no oeste do reino.

O conflito no sul agravou a situação dos civis em um país onde a guerra causou a pior crise humanitária do planeta, segundo a ONU.

Dezenas de milhares de pessoas, principalmente civis, foram mortos na guerra, de acordo com várias organizações humanitárias. Cerca de 3,3 milhões de pessoas ainda estão deslocadas e 24,1 milhões, mais de dois terços da população, precisam de ajuda, segundo as Nações Unidas.

Os separatistas acusam há anos o governo de discriminar os iemenitas do sul e de distribuir injustamente a riqueza do país, o mais pobre da Península Arábica.

Essa parte do Iêmen foi um Estado independente até a unificação do sul e do norte em 1990.

As tropas do governo perderam o controle de quase todo o sul em agosto para os separatistas. Diante do conflito que enfraqueceu sua coalizão, Riad propôs um diálogo para aliviar as tensões.

Essa disputa também minou a aliança dentro da coalizão anti-houthis, particularmente entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

O governo iemenita acusou os Emirados de apoiar os separatistas, cujos combatentes formam as unidades do "Cordão de Segurança", uma força liderada por Abu Dhabi.

Em outubro, os Emirados entregaram às forças sauditas posições-chave na cidade de Áden e na Província de Lahej para tentar aplacar a crise./AFP

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