Governo egípcio bloqueia internet para evitar protesto

Os egípcios se preparam hoje para grandes protestos contra o governo, em uma escala não vista no país há décadas. No entanto, pela manhã a população tinha problemas para acessar a internet na maior parte do país, informa o jornal The Wall Street Journal.

AE, Agência Estado

28 de janeiro de 2011 | 08h51

A polícia enviou reforços para sufocar os protestos. Ativistas da oposição apostam que uma grande participação no protesto no tradicional dia de orações no país muçulmano e nos dias anteriores desta semana pode ser decisivo para o movimento ganhar força, em sua campanha pelo fim do regime de três décadas do presidente Hosni Mubarak. Há o temor, porém, de que as forças de segurança reprimam violentamente as manifestações.

Pelo menos cinco pessoas já morreram nos protestos, segundo as agências de notícia. A morte mais recente ocorreu ontem, informou a Associated Press, quando forças de segurança mataram a tiros um manifestante na Península do Sinai, no mais recente indício de que os distúrbios se disseminam para áreas mais isoladas do Egito.

A Irmandade Muçulmana, maior e mais organizado movimento oposicionista do país, endossou as manifestações desta sexta-feira, em comunicado divulgado em seu site no dia anterior. "O grupo irá participar na manifestação marcada, para se alcançar as demandas populares", afirmou a Irmandade Muçulmana. Isso mostra uma mudança no comportamento do grupo, que, segundo analistas, pode mobilizar milhões de pessoas, mas até agora resistia a jogar seu peso institucional para apoiar os protestos.

Na noite de ontem, o prêmio Nobel da Paz e ativista pela democracia Mohamed ElBaradei retornou ao Egito para participar dos protestos. Ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ElBaradei é visto como uma das poucas figuras seculares liberais com poder para desafiar o establishment.

A mídia estatal procurou ontem minimizar os protestos nas ruas, alertando para o risco de caos no país. Analistas disseram que aparentemente o regime busca assustar os cidadãos, muitos dos quais participam em atos políticos na rua pela primeira vez em suas vidas.

Dicas

Um jornal egípcio independente publicou em seu site na noite de ontem dicas para os manifestantes de primeira viagem ficarem em segurança. O diário recomendou que eles levem uma toalha molhada, para se proteger do gás lacrimogêneo, além de sugerir às moças que prendam o cabelo, para evitar que ele seja agarrado pela polícia antidistúrbio.

O governo tomou passos sem precedentes para limitar a capacidade dos manifestantes se organizarem e se comunicarem. O sistema de metrô da cidade foi fechado e o acesso à internet tem problemas. É impossível também enviar mensagens de texto por celular em boa parte do país.

Mais cedo hoje, os Estados Unidos, que têm demonstrado maior apoio aos manifestantes nos últimos dias, denunciaram a ação oficial. A mensagem de Washington foi enviada pelo site de mensagens breves Twitter, que tem tido uma importância grande na organização de protestos em vários países árabes.

"Nós estamos preocupados com o fato de que os serviços de comunicação, incluindo a internet, a mídia social e até este tweet (mensagem breve) estejam sendo bloqueados no Egito", escreveu o porta-voz do Departamento de Estado P.J. Crowley às 5h30 (horário do Cairo). O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, advertiu hoje o governo do Egito para o fato de que "a liberdade de expressão deve ser totalmente respeitada".

Em uma demonstração do temor de que ocorram distúrbios, a Federação de Futebol do Egito anunciou ontem que estava adiando todas as partidas marcadas para hoje e para amanhã, citando razões de segurança. As informações são da Dow Jones.

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