Governo egípcio manda invadir ONGs estrangeiras

Forças de segurança do Egito invadiram 17 escritórios de organizações não governamentais, incluindo pelo menos 3 grupos pró-democracia financiados pelos EUA, como parte de uma investigação que, segundo os governantes militares do país, revelará a influência estrangeira nos mais recentes protestos ocorridos no país. As manifestações exigiram a entrega do poder a civis.

CAIRO, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2011 | 03h04

No Cairo, homens armados usando uniformes negros da polícia vasculharam caixas e gavetas, apreenderam documentos e computadores e detiveram temporariamente os funcionários de dois dos grupos americanos - o Instituto Democrático Nacional e o Instituto Republicano Internacional -, que são afiliados aos principais partidos políticos dos EUA e recebem financiamento de Washington. "Estamos confinados enquanto eles vasculham o escritório", escreveu um funcionário da ONG ligada aos democratas em uma mensagem durante a revista. As autoridades egípcias também invadiram as dependências da Freedom House (Casa da Liberdade), que tem sede na capital americana.

As operações de ontem representam uma súbita escalada no que parece ser uma campanha da junta militar para obter apoio entre a população, com base nos sentimentos nacionalistas e antiamericanos comuns no país.

As incursões ocorrem logo após o início de uma investigação do governo que apura o financiamento estrangeiro a organizações sem fins lucrativos no Egito. A junta militar sugere que esse dinheiro foi fundamental para fomentar os protestos que exigiam a queda do governo formado após a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro.

A atuação ostensiva dos militares coincide com a absolvição de cinco policiais acusados de matar manifestantes durante os protestos que provocaram a queda do ditador. A Justiça egípcia considerou que os agentes ou não estiveram nas cenas dos crimes ou, no caso de dois deles, dispararam suas armas em legítima defesa, segundo a imprensa local. Segundo analistas, a decisão deverá enfurecer ainda mais os opositores da junta militar.

Apelo. Defensores dos direitos humanos pediram ao governo interino que abandone sua investigação sobre o financiamento estrangeiro de ONGs.

Um relatório feito por promotores de Justiça em setembro identificou quase 30 entidades não registradas recebendo dinheiro do exterior para financiar suas operações no Egito. De acordo com a legislação que rege essas associações, isso representa um delito punido com prisão.

Os institutos dos republicanos e dos democratas têm trabalhado abertamente no Cairo desde 2005 e atuaram como observadores na recente eleição parlamentar ocorrida no país. Em comunicados distintos, ambas organizações manifestaram apreensão sobre as operações em suas dependências. / NYT

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