Governo egípcio volta a reprimir protestos

Acampamento que reunia5 mil no Cairo foi incendiado pelas autoridades; ao menos 11 foram mortos no fim de semana e centenas ficaram feridos

CAIRO, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2011 | 03h02

Forças de segurança egípcias atacaram ontem cerca de 5 mil manifestantes que acampavam na Praça Tahrir, no Cairo, desde a sexta-feira, quando uma marcha juntou 50 mil pessoas - na maioria jovens ou islamistas - exigindo que a junta militar que governa o país desde a deposição de Hosni Mubarak, em fevereiro, anuncie a data para deixar o poder. Ao menos onze manifestantes foram mortos no fim de semana e centenas ficaram feridos.

A tensão aumenta no Egito com a aproximação das eleições parlamentares, que começam no dia 28. Em resposta aos protestos, que no sábado também ocorreram em Alexandria - onde ao menos um dos manifestantes foi morto - e Suez, o governo provisório garantiu que a votação ocorrerá na data prevista.

No fim da tarde de ontem, policiais e militares atearam fogo nas barracas que ocupavam a Praça Tahrir, depois de dois dias de confrontos que também deixaram um morto no sábado, no Cairo. Enquanto eram dispersados a golpes de cassetete, balas de borracha e gás lacrimogêneo, os manifestantes atacavam as autoridades com pedradas. Após o pôr do sol, porém, centenas de egípcios voltavam ao local, ostentando bandeiras e cantando "Allah u Akbar" (Deus é maior) e "Liberdade".

"Não sairemos daqui", afirmou Mohamad Radwan. "Temos uma única exigência: que o marechal (Hussein Tantawi, comandante da junta governante e ex-ministro da Defesa de Mubarak) deixe o poder e seja substituído por um conselho civil", disse Ahmed Hani. Médicos de dois hospitais de campanha instalados na Praça Tahrir afirmaram que 700 pessoas foram atendidas ontem.

Desde que assumiram, os militares têm afirmado repetidamente que entregarão o poder para um governo eleito, mas sem especificar uma data. Segundo uma previsão sugerida pelo Exército, a transição ocorrerá após eleições presidenciais ocorrerem, entre o fim de 2012 e o início do 2013. A violência reflete a ira popular causada pela lentidão no processo. / AP e REUTERS

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