Governo eleito terá de enfrentar ''herança maldita''

Emigração de 67 mil paraguaios por ano e 19% da população na pobreza extrema são alguns dos desafios

Ariel Palacios, Assunção, O Estadao de S.Paulo

21 de abril de 2008 | 00h00

Assim que tomar posse, em agosto, o novo presidente paraguaio terá de assumir a complicada herança de seus antecessores, que envolve problemas sociais - como altos índices de pobreza, infra-estrutura precária e uma enferrujada máquina estatal. Um dos principais desafios de Fernando Lugo será lidar com a questão dos paraguaios que abandonam o país para fugir da pobreza. Em média, 67 mil pessoas - o equivalente a mais de 1% da população - emigram para o exterior todos os anos, em busca de melhores condições de vida. Deixar o país é uma das alternativas para não integrar o contingente de pobres, que representam 35% da população, segundo dados do Departamento Geral de Estatísticas e Censos. Desse total, 19,3% vivem na chamada "pobreza extrema". O dado, de 2007, mostra uma piora na situação em relação a 2005, quando o índice de pessoas vivendo nessa situação era de 15,46%. Outra agravante é o fato de que quase metade da população paraguaia vive em áreas rurais, o que dificulta o acesso desses habitantes aos serviços médicos e ao sistema educacional. Para complicar, dos 64 mil quilômetros de estradas que cortam o país, somente 4 mil quilômetros estão asfaltados. O PIB per capita - sem levar em conta o custo de vida - é de apenas US$ 1.928, o terceiro mais baixo de toda a América do Sul, atrás apenas de Bolívia e Guiana. No entanto, o índice é o mais alto da história do Paraguai e a expectativa é que neste ano ele ultrapasse US$ 2 mil. A economia paraguaia vem registrando um constante aumento do PIB, que no ano passado cresceu 6,4%. Para 2008, a estimativa do Ministério da Fazenda é de 5%. O crescimento está sendo estimulado principalmente pelo aumento da produção da soja. Lugo também terá de enfrentar o problema da máquina estatal, que, desde a volta da democracia, não parou de crescer, alimentando um Estado clientelista. Entre 1989 e 2007, o número de funcionários públicos saltou de 80 mil para 240 mil (4% do total da população). Na semana passada, para conseguir mais apoio, o presidente Nicanor Duarte aumentou o salários do funcionalismo - uma carga adicional para a próxima administração.

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