Governo encontra atas secretas da ditadura

Ministro anuncia descoberta de 1.500 arquivos, entre eles listas de perseguidos políticos, que vão de 1976 a 1983

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2013 | 02h14

O governo argentino anunciou ontem a descoberta de um precioso e inédito arquivo da ditadura (1976-1983), incluindo 280 atas secretas de reuniões da junta militar, órgão máximo do regime. Nos documentos, há informações sobre desaparecidos, além de listas de intelectuais e artistas - como Julio Cortázar e Mercedes Sosa - que representariam uma ameaça, segundo anunciou o ministro da Defesa, Agustín Rossi.

Os papéis foram encontrados por acaso no subsolo da sede da Força Aérea, em armários e cofres, durante uma limpeza rotineira. Eles estão divididos em seis pastas, organizados por temas e datas: de 24 de março de 1976 até 10 de dezembro de 1983, cobrindo, portanto, praticamente todo o período da ditadura.

Rossi disse que é a primeira vez que um acervo desse tipo vem a público na Argentina. O ministro não detalhou o conteúdo dos documentos, mas a junta militar debatia os temas mais importantes do país. Ele adiantou que há informações sobre perseguidos políticos no acervo e uma lista de 331 pessoas banidas. "Os documentos têm enorme valor histórico e jurídico", disse Rossi, indicando que eles poderão eventualmente ser usados em processos contra ex-integrantes do regime. / EFE

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