EFE/EPA/ERDEM SAHIN
EFE/EPA/ERDEM SAHIN

Governo Erdogan ataca observadores estrangeiros às vésperas de eleição 

As eleições antecipadas convocadas por ele, com as quais busca se manter no cargo para um novo mandato e com maioria parlamentar, são cruciais

O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2018 | 19h30

ANCARA - O governo da Turquia, acusado de exercer grande pressão sobre os partidos opositores durante a campanha para as eleições deste domingo, 24, criticou neste sábado os observadores internacionais que inspecionarão a votação. 

“Estão se comportando como porta-vozes de estruturas políticas marginais”, disse o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, em declarações transmitidas pelo canal CNNTürk.

Em uma reportagem, a agência semioficial turca Anadolu acusou a missão de observação formada pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) de ter um plano para “semear o caos” com acusações de fraude.

Na última quinta-feira, as autoridades detiveram dois deputados para a missão da OSCE em sua chegada à Turquia e os proibiu de entrar no país.

+ Erdogan anuncia eleições antecipadas na Turquia para o dia 24 de junho

Fontes diplomáticas informaram à agência EFE que o governo turco não permitiu que funcionários de embaixadas acompanhassem membros da OSCE, como fizeram em algumas ocasiões anteriores, para facilitar seu trabalho durante as eleições.

Estes ataques contra analistas internacionais ocorrem na reta final de uma campanha marcada por pressões e perseguição à oposição pelo partido islamita AKP, do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Amparadas pelo estado de emergência vigente desde a tentativa de golpe de Estado, em julho de 2016, as autoridades cancelaram eventos de campanha de alguns partidos alegando motivos de "segurança".

A organização de direitos humanos turca IHD contabilizou 127 intervenções policiais durante eventos eleitorais, das quais 125 foram contra opositores, assim como 376 detenções de políticos, 361 deles filiados ao partido pró-curdo esquerdista HDP.

Além disso, o governo proibiu 21 comícios de forças políticas da oposição.

As eleições antecipadas convocadas por Erdogan, com as quais ele busca se manter no cargo para um novo mandato e com maioria parlamentar, são cruciais. Com o novo poder começará a reger a nova Constituição e prerrogativas que reforçam o poder presidencial após a reforma adotada no ano passado. 

O chefe de Estado agitou em abril o calendário político ao anunciar o adiantamento das eleições originalmente marcadas para 3 de novembro de 2019. A decisão, aparentemente,  foi motivada pelo medo da crise econômica que atinge o país com uma enorme queda na lira turca, a inflação de dois dígitos e um déficit significativo na balança de conta corrente. 

Embora favorito, analistas avaliam que Erdogan não vencerá no primeiro turno e  seu Partido de Justiça e Desenvolvimento (AKP) pode perder a maioria no Parlamento. / EFE e AFP

Mais conteúdo sobre:
TurquiaRecep Tayyip Erdogan

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.