AP Photo/Susan Walsh
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Governo escolhe conselheiro especial para chefiar investigação sobre Trump e Rússia 

A escolha de Muller, um ex-diretor do FBI, surge em meio à demanda dos democratas para que alguém de fora do Departamento de Justiça comande a investigação carregada politicamente

O Estado de S.Paulo

17 Maio 2017 | 19h11
Atualizado 17 Maio 2017 | 21h07

WASHINGTON - O Departamento de Justiça escolheu o ex-diretor do FBI Robert Mueller como um conselheiro especial para chefiar uma investigação federal sobre uma possível coordenação entre a Rússia e a campanha de Donald Trump para influenciar as eleições presidenciais do ano passado. Mueller, um ex-procurador federal, foi diretor do FBI entre 2001 e 2013 e tem uma reputação de independência. 

Em nota, Trump expressou  seu desejo de que a investigação sobre um eventual conluio entre pessoas próximas a ele e a Rússia seja concluída "rapidamente". "Como disse em inúmeras oportunidades, uma investigação exaustiva confirmará o que já sabemos: não há nenhuma colusão entre minha equipe de campanha e uma entidade estrangeira", assinalou.

O subsecretário de Justiça dos EUA, Rod Rosenstein, fez a nomeação, já que o secretário de Justiça, Jeff Sessions, decidiu se afastar de qualquer investigação relacionada à corrida eleitoral do ano passado. "Eu determinei que é do interesse público para mim exercer minha autoridade e apontar um conselheiro especial para assumir responsabilidade nesse assunto", afirmou Rosenstein em nota. 

O subsecretário advertiu que a nomeação não era resultado da conclusão de que crimes foram cometidos ou de que qualquer processo é necessário no caso. 

A escolha de Muller nesta quarta-feira surge em meio à demanda dos democratas para que alguém de fora do Departamento de Justiça comande a investigação carregada politicamente. Também se segue à revelação, na terça-feira, de que o diretor do FBI demitido, James Comey, registrou em um memorando que Trump pediu a ele para encerrar uma investigação contra seu conselheiro de segurança nacional Michael Flynn. 

Muller tem atuado como sócio da WilmerHale, um escritório de advocacia, mas se retirará do posto para evitar qualquer conflito de interesse, de acordo com o Departamento de Justiça.

Ele comandou o FBI na sequência dos ataques terroristas de 2001 e foi apontado como responsável por dar à agência um papel maior na coleta de informações de inteligência. 

O então presidente Barack Obama pediu a Mueller que ficasse no posto após o fim de seu mandato de dez anos para buscar um sucessor. Obama acabou em 2013 por nomear Comey, recentemente demitido pelo Donald Trump. / Dow Jones Newswires e AP 

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