Governo espalha versão de que Capriles não reconhecerá resultado de eleição

O fim oficial da campanha eleitoral na Venezuela não impediu que os dois lados da disputa continuassem ontem a incentivar seus militantes a conquistar novos eleitores. Os meios de comunicação do governo passaram mais um dia transmitindo matérias a favor de Nicolás Maduro, herdeiro político de Hugo Chávez, e simpatizantes do opositor Henrique Capriles se mobilizaram pela internet.

FELIPE CORAZZA, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2013 | 02h01

A ministra dos Serviços Penitenciários, Iris Varela, deu as declarações mais duras do dia. Falando à TV estatal VTV, Iris afirmou que a oposição levará o país a uma guerra civil se não reconhecer os resultados das urnas nas eleições de amanhã. "Aqui, não ficará pedra sobre pedra, porque vamos defender esse processo com a vida. A oposição não garantirá a segurança. Nós garantimos a segurança."

Rumores de que a oposição se prepara para contestar a apuração das urnas começaram quando Capriles, candidato da Mesa da Unidade Democrática (MUD), recusou-se a assinar um documento em que se comprometia a acatar o resultado. O acordo foi proposto pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão favorável aos chavistas. O deputado Carlos Eduardo Berrizbeitia, da MUD, credita os rumores do chavismo a um nervosismo por pesquisas internas que mostrariam uma diminuição na vantagem de Maduro sobre o opositor.

"É totalmente falso, uma manipulação do governo, como fizeram nos últimos 14 anos. Nós já afirmamos que vamos respeitar a Constituição e reconhecer o processo eleitoral democrático. Um candidato que tem a vantagem de 10 pontos que ele diz ter deveria estar mais tranquilo", afirmou o deputado ao Estado.

Setores mais radicais da oposição teriam pedido a jovens que se preparassem para tomar as ruas em caso de vitória apertada de Nicolás Maduro, mas o grupo é minoritário e isolado pelos próprios partidos que compõem a MUD, de acordo com o cientista político Oscar Reyes. "Vão reconhecer os resultados, quaisquer que sejam. Sempre respeitaram os resultados. Há um setor dizendo aos jovens que preparem seu 'kit para distúrbios', mas acredito que as pessoas não cairão nessa armadilha".

Além de Iris Varela, o ministro da Informação, Ernesto Villegas, também continuou em campanha ontem. Pelo Twitter, o ministro cobrou explicações de Capriles sobre uma gafe que teria cometido ao falar sobre crianças excepcionais.

Berrizbeitia criticou os atos dos ministros e meios de comunicação oficiais após o encerramento da campanha. "É só ver a TV oficial por 10 minutos para confirmar que dinheiro público está sendo gasto em campanha."

Maduro visitou o Quartel da Montanha, onde está o corpo de Chávez, acompanhado do ex-jogador de futebol argentino Diego Maradona. Capriles reuniu-se com observadores eleitorais da Unasul e jogou basquete com ex-jogadores célebres do país.

Preparativos. O governo colocou em prática ontem o Plano República, que envolve a participação de forças militares no esquema de segurança eleitoral. Tropas se mobilizaram pelas principais cidades e acompanharam a instalação das mesas eleitorais que, até o fim do dia, segundo o CNE, já estavam prontas em mais de 90% dos locais.

Milhares de venezuelanos residentes nos EUA viajarão para New Orleans, em Louisiana, para votar. Em 2012, Chávez ordenou o fechamento do consulado em Miami, cidade que concentra opositores, forçando os eleitores a viajar para depositar seu voto. Na eleição de 7 de outubro, 8.351 venezuelanos votaram em New Orleans. Destes, apenas dois não escolheram Capriles.

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