Governo espanhol admite falta de diálogo com ETA

O Partido Socialista da Espanha, que governa o país, admitiu nesta sexta-feira que as bombas mortais no Aeroporto de Madri revelaram a falta de comunicação do governo com o grupo militante basco ETA, apesar do cessar-fogo que havia suscitado esperanças de um fim para as quatro décadas de violência separatista. As bombas que explodiram no último sábado numa garagem do aeroporto de Madri, matando duas pessoas e ferindo outras 26, abalaram um cessar-fogo de nove meses que o ETA havia dito seria permanente - e esvaziaram as esperanças que o governo tinha de negociar com o grupo armado. "Precisamos reconhecer que havia um problema de informação e nenhum diálogo", declarou à emissora de rádio Cadena Ser o principal membro do partido, José Blanco. "Precisamos analisar o que aconteceu para evitar repetir os mesmos problemas no futuro", acrescentou.Em junho, o primeiro-ministro José Luis Rodriguez Zapatero havia afirmado acreditar que a trégua era sincera e disse que negociaria com o ETA - embora tivesse descartado qualquer concessão para a independência basca. No entanto, essas negociações nunca tiveram início.O governo rejeitou as exigências do ETA e de seu braço político, o partido Batasuna, para certas medidas iniciais, como a transferência de alguns presos do ETA para a região basca e a autorização de conversações separadas entre os partidos políticos bascos sobre o futuro da região. O ETA também criticou o governo por se recusar a afrouxar a vigilância sobre o movimento, citando o prosseguimento das prisões de membros suspeitos do grupo separatista. A luta do ETA pela independência basca já matou mais de 800 pessoas desde os anos 1960, mas a explosão de sexta-feira foi o primeiro ataque fatal do grupo separatista basco em mais de três anos. O último havia sido em maio de 2003, quando um carro-bomba matou dois policiais na cidade de Sanguesa, no norte. Na manhã desta sexta-feira, bombeiros encontraram os restos mortais que se acredita serem de Diego Armando Estacio, de 19 anos, o segundo desaparecido desde a explosão no aeroporto. Natural do Equador, acredita-se que Estacio estivesse dormindo dentro de um carro estacionado na garagem. O corpo de outro equatoriano, Carlos Alonso Palate, de 35 anos, que dormia dentro de um veículo, foi encontrado na quarta-feira. Seus restos mortais foram repatriados para sua cidade natal no Equador. O ETA não se responsabilizou pelos ataques, mas um homem que telefonou alertando as autoridades, antes da explosão, disse que representava o grupo.

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