Governo espanhol se recusa a desalojar manifestantes

Zapatero avisa que não cumprirá ordem judicial antes de eleições; praças de mais de 170 cidades continuam ocupadas

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

Após tomarem praças em quase 170 cidades da Espanha, manifestantes obrigaram ontem o governo de José Luis Rodríguez Zapatero a ceder: o primeiro-ministro prometeu que não cumprirá a decisão judicial para desocupar os espaços públicos.

A decisão foi tomada dois dias antes das eleições municipais. Os manifestantes, em sua maioria jovens, exigem reformas para ampliar a participação popular na política espanhola. Eles se dizem inspirados nos levantes do mundo árabe.

A ocupação de praças em todo o país já vinha ocorrendo desde a semana passada. A Junta Eleitoral de Madri, porém, julgou que o protesto antes das eleições de amanhã é ilegal e solicitou a "liberação" dos manifestantes.

O movimento, autointitulado "Indignados", optou por desafiar a lei e convocou novas manifestações para hoje.

Caberia às forças de segurança desalojar as milhares de pessoas. Mas o governo indicou que não obedecerá à Justiça, temendo as consequências políticas da ação contra os manifestantes. "Para resolver um problema, a polícia não vai criar outro", disse o vice-presidente de governo, Alfredo Pérez Rubalcaba.

Um grupo de manifestantes apresentou uma série de propostas de reformas políticas e econômicas para reverter a crise na Espanha. O país europeu já registra 50 milhões de desempregados.

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