Governo estimulou hans a migrar para Xinjiang

O governo de Pequim promoveu nas últimas quatro décadas a ocupação de Xinjiang por chineses da etnia han, em uma tentativa de garantir a integração da província ao território nacional. Localizada no extremo oeste, na fronteira com Paquistão e Afeganistão, Xinjiang ocupa uma área equivalente a 17% do território chinês, mas abriga apenas 1,5% da população da China, de 1,3 bilhão. Além de ser a maior do país, a província é estratégica por concentrar 15% das reservas nacionais de petróleo e 20% das de gás. Nos anos 50, os muçulmanos uigures eram 74% da população de Xinjiang, enquanto os han não chegavam a 10%. Com língua, religião e identidade étnica mais próxima aos povos da Ásia Central do que aos chineses do leste da China, os uigures representavam um desafio ao desejo do Partido Comunista de restabelecer o território que a China tinha durante o império e havia sido desagregado durante a guerra civil que chegou ao fim em 1949.A solução foi estimular a migração dos han para província, dominada por desertos e montanhas. Hoje, a etnia han, majoritária no país, representa 41% da população de Xinjiang. Os uigures, que antes representavam 74%, passaram para 45%. Os restantes 14% pertencem a outras minorias étnicas. Os imigrantes concentraram-se na capital, Urumqi, e tornaram-se a elite econômica, o que nutre o ressentimento dos uigures contra os han e o governo. A situação é semelhante à do Tibete, ainda que a escala de migração seja muito menor. Os han representam menos de 10% da população do Tibete, mas são os principais beneficiados pelo crescimento econômico da região. Analistas viram nos protestos no Tibete - ocorridos em março de 2008 - a manifestação do ressentimento dos jovens tibetanos contra a segregação econômica em que vivem. O principal alvo dos que ocuparam as ruas de Lhasa foram as lojas de propriedade dos han e quase todos os mortos reconhecidos pelo governo pertencem à etnia minoritária no Tibete.

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