AP Photo/Richard Drew
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Cuba facilita acesso ao Twitter e busca novos investimentos

Iniciativa faz parte de um plano do presidente Miguel Díaz-Canel para abrir a economia do país, segundo analistas

O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2018 | 12h10
Atualizado 23 de novembro de 2018 | 18h05

Os cubanos poderão a partir de agora registrar novas contas no Twitter sem a necessidade de um número de telefone estrangeiro. Segundo a imprensa oficial cubana, a rede social agregou nos últimos dias o código telefônico de Cuba (+53) para suas opções de registro. A iniciativa faz parte de um plano do presidente Miguel Díaz-Canel para abrir a economia do país, segundo analistas. Ontem, ele assinou acordos se cooperação com o premiê espanhol, Pedro Sánchez

Até então, para obter uma conta na rede social, os cubanos precisavam de um telefone registrado no exterior para confirmar o registro e depois tuitar por SMS. Muitos recorriam a parentes em outros países para conseguir criar a conta. 

Ainda não está claro se a restrição fazia parte do embargo imposto pelos Estados Unidos a Cuba desde a década de 1960, que restringe o algumas transações financeiras e registros online. 

O jornal Juventud Rebelde destacou que alguns usuários já comemoraram a nova possibilidade de acesso. A abertura ocorre um mês depois de Díaz-Canel inaugurar sua conta no Twitter. Ele já tem 46 mil seguidores e publicou 186 tuítes, a maioria mensagens patrióticas e de apoio a suas políticas de governo e a aliados como Venezuela, Bolívia e Nicarágua.

Até 2013, Cuba não tinha acesso regular à internet. A maioria dos pontos de conexão era cara e destinada a turistas. Nos últimos anos, o governo tem dado sinais de que pretende aumentar a conexão da ilha à rede mundial de computadores. Foram instalados pontos de conexão em 35 locais públicos. 

A maior parte da conexão era via satélite até um convênio com o governo da Venezuela permitir o cabeamento por fibra ótica submarina. Com o processo de abertura com os EUA promovido pelo presidente Barack Obama, o acesso melhorou, com o governo passando a ampliar a oferta de conexão.

Em 2017, 32,5% da população tinha acesso à rede, segundo o site Internet World Stats. O custo para acessar a internet de maneira privada, no entanto, ainda é alto: 0,1 CUC por hora – a moeda para turistas do país. O salário em Cuba equivale a 20 CUCs. 

Em julho, o governo prometeu ampliar o acesso de conexão móvel para a população. A estatal de telefonia Etecsa prometeu fornecer conexões em celulares para seus 5 milhões de clientes até o fim deste ano. 

Díaz-Canel é descrito por analistas como um entusiasta da internet e diz que melhorar as condições de conexão no país pode ser bom para a economia. 

Na quinta-feira, o novo presidente recebeu o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. Na pauta do encontro, oportunidades de negócios entre os dois países.  Representantes de 200 empresas de ambos os países, entre elas a Telefónica e a Iberia, participaram do evento. A Espanha é o terceiro maior parceiro comercial de Cuba, atrás da China e da Venezuela, com um intercâmbio comercial que somou US$ 1,3 bilhão em 2017.

“Nos últimos dois anos a Espanha ganhou muito terreno nos negócios com Cuba”, disse o analista Arturo López Levy, da Universidade Gustavus Adolphus, dos Estados Unidos. 

Sánchez disseque pretende resolver o tema de dívidas do governo cubano com empresas espanholas. A partir de fevereiro, Cuba pretende facilitar a legislação para investimento estrangeiro no país. O país vem sofrendo com a crise econômica venezuelana, seu principal parceiro desde o início do século e o principal fornecedor de combustível à ilha. /EFE e AFP

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