Governo faz balanço do plano de segurança

O Plano Nacional de Segurança Pública completa um ano nesta quarta-feira entre auto-elogios do governo e críticas de especialistas no assunto. O ministro José Gregori anunciou nesta terça, ao fazer um balanço do programa em Brasília, o repasse de R$ 300 milhões para combater o crime nos 27 Estados.Segundo Gregori, esse foi um dos principais resultados do plano, que também teria estreitado o relacionamento entre a União e os governos estaduais. A verba, de acordo com ele, representa uma "ajuda concreta" do governo para os Estados recuperarem suas polícias, investindo em armas e no treinamento dos agentes.Gregori lembrou que, na semana passada, o presidente Fernando Henrique Cardoso entregou ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, R$ 37 milhões para a desativação do Complexo do Carandiru. O ministro admite, porém, que a maioria dos objetivos do plano não foi alcançada. Mas procura justificar o fato, dizendo que desde Deodoro da Fonseca nunca um presidente se interessou pela segurança.Gregori afirmou que o programa está acima de partidos e ideologias. "A situação da segurança e da criminalidade no Brasil, há um ano, era mais séria, mais problemática e mais preocupante." O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, disse que os efeitos do plano serão sentidos a médio prazo. "O que se vem formando há décadas (a criminalidade) não pode acabar em um ano."Para o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Marco Vinicio Petrelluzzi, o programa "ainda precisa progredir, evoluir, pois a participação do governo federal ainda é tímida".Questionado sobre a nota que daria para o primeiro ano do plano, disse: "Vou dar a mesma resposta que ouço dos garçons quando indago como está o abacaxi num restaurante: 7,5." Mesmo assim, o secretário ressalta a importância do programa. "Ele significou um avanço, pois antes o governo não fazia absolutamente nada. Agora, existe algo palpável." Em 2000, o Ministério da Justiça destinou a São Paulo R$ 30 milhões. Neste ano, a promessa é repassar R$ 42 milhões. "Proporcionalmente, São Paulo é o Estado que recebe menos", queixou-se Petrelluzzi.O secretário afirmou que a maior integração entre a Polícia Federal e a dos Estados, prevista pelo programa, também "não avançou muito". O secretário de Assuntos Extraordinários da prefeitura de Guarulhos, Guaracy Mingardi, autor do programa de segurança de Marta Suplicy (PT), afirma que o plano foi comprometido.Parte das dificuldades estaria ligada ao Programa Reluz. Criado para aumentar a iluminação pública e reduzir a criminalidade, o Reluz foi prejudicado pelo racionamento de energia elétrica no País.

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