Governo francês decide dissolver grupo de extrema-direita UR

O gabinete francês decidiu hoje, em sua última reunião antes das férias de verão, dissolver a Unidade Radical (UR), um grupo de extrema-direita do qual era membro Maxime Brunerie, que tentou assassinar o presidente Jacques Chirac com um tiro de carabina, durante o desfile militar de 14 de julho (data nacional da França). Mesmo antes dessa decisão oficial, os principais dirigentes do grupo extremista já prometiam relançar um movimento legal com outro nome. Eles procuram se isentar de qualquer responsabilidade direta no gesto tresloucado de seu militante. No entanto, logo após a malograda tentativa, os dirigentes da UR, em seu site Internet, haviam apoiado o ato divulgando nota de agradecimento ao agressor. "Obrigado Maxime, apesar de seu ato absurdo", dizia a nota. Por essa razão, o site que tem servido de vitrine para o movimento poderá ser suspenso por decisão da Justiça, amanhã, quando o Tribunal de Paris deverá se pronunciar sobre a queixa apresentada pela União dos Estudantes Judeus da França. A instrução do processo que levou o Ministério do Interior a decretar a proibição desse movimento radical se deve à convicção de que ele estimula "o ódio, a discriminação e a violência em relação às pessoas". Justificativa O gabinete justificou a medida invocando também uma lei de 1936 referente a grupos de combate e milícias privadas. Os dois porta-vozes do grupo UR, Fabrice Robert e Guilherme Luyt, garantem que a organização não é uma milícia privada ou grupo de combate, jamais tendo agido fora da legalidade. Os dois dirigentes pertenceram ao Movimento Nacional Republicano - facção dissidente da Frente Nacional, do líder xenófobo Jean-Marie Le Pen, chefiada por Bruno Megret. Como Megret decidiu condenar publicamente o gesto de Brunerie, desautorizando também seus dois principais dirigentes, ambos estão convencidos de que poderão criar um movimento que terá amplo apoio dos grupos radicais de direita na França. O próprio autor do atentado contra Chirac, transferido de um hospital psiquiátrico para a prisão de La Santé, em Paris, foi candidato do MNR nas últimas eleições municipais, enquanto Robert, eleito para o Conselho Nacional desse partido, só foi afastado há alguns dias por ordem de Megret. O mesmo grupo manteve, em agosto de 2001, encontro em Corte, interior da Córsega, com dirigentes nacionalistas corsos - entre eles Jean Michel Rossi e François Santoni, dirigentes da Nova Resistência e da Cuncolta, que acabaram sendo assassinados.

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