Philippe Wojazer / Reuters
Philippe Wojazer / Reuters

Governo francês denuncia tentativa de espionagem de satélite por russos em 2017

Ministra dos Exércitos diz que objeto espacial russo ‘esteve tão perto que poderíamos pensar que ele estava tentando captar nossas comunicações’

O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2018 | 15h40

TOULOUSE, FRANÇA - Um satélite russo tentou espionar em 2017 um satélite franco-italiano que garante comunicações militares seguras, denunciou nesta sexta-feira, 7, a ministra francesa dos Exércitos, Florence Parly, em um discurso sobre o espaço.

"Enquanto o Athena-Fidus continuava sua tranquila rotação sobre a Terra, um satélite se aproximou um pouco demais", declarou a ministra durante uma visita ao Centro Nacional de Estudos Espaciais em Toulouse, sudoeste da França.

"Esteve tão perto que poderíamos pensar que ele estava tentando captar nossas comunicações", acrescentou. Mas "tentar ouvir seus vizinhos não é apenas hostil, é chamado de ato de espionagem”, disse ela.

"Este satélite se chama Louch-Olymp. É um satélite russo bem conhecido, mas um pouco indiscreto", afirmou. "Nós o vimos se aproximar e tomamos as medidas necessárias. Observamos com atenção e constatamos que ele continuou a manobrar ativamente nos meses seguintes em direção a outros alvos. Mas quem nos garante que amanhã ele não voltará a um de nossos satélites?", questionou a ministra.

Os EUA denunciaram recentemente "o comportamento muito anormal de um objeto espacial" colocado em órbita pela Rússia em outubro de 2017. "Sim, estamos em perigo. Nossas comunicações, nossas manobras militares, assim como nossos jornais, estão em perigo se não agirmos", advertiu ela.

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Florence ressaltou ainda que "algumas potências espaciais colocam em órbita objetos intrigantes, experimentando capacidades potencialmente ofensivas e realizando manobras que deixam pouca dúvida sobre sua vocação agressiva".

O presidente francês, Emmanuel Macron, já anunciou sua intenção de definir no próximo ano "uma estratégia espacial de defesa” para o país. / AFP

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