Governo francês tenta proibir shows de humorista acusado de antissemitismo

Governo francês tenta proibir shows de humorista acusado de antissemitismo

Dieudonné recorreu à Justiça contra proibição de apresentações em várias cidades francesas

O Estado de S. Paulo,

08 de janeiro de 2014 | 11h32

PARIS - O governo da França lançou uma ofensiva legal contra o humorista, ator e militante político Dieudonné, acusado de crimes de incitação ao ódio racial por divulgar o antissemitismo em seus espetáculos. Sua atual turnê foi alvo de uma ordem circular do Ministério do Interior que orientou cidades e departamentos de todo o país de proibirem a realização dos shows.

Neles, Dieudonné lamenta o fim do holocausto e das câmeras de gás, menospreza os símbolos islâmicos e elogia Marechal Pétain, o militar que assinou o armistício com a Alemanha, governou a França ocupada na Segunda Guerra e é símbolo de colaboração com os nazistas. O caso provoca imensa polêmica na França porque opõe o governo socialista a representantes da extrema direita, mas também porque impõe limites à liberdade de expressão.

O humorista apresentou nesta quarta-feira um recurso contra a proibição governamental de apresentar seu espetáculo amanhã em Nantes, onde inicia uma nova viagem, informaram seus advogados. O comediante tenta frear assim a suspensão ditada ontem pelo prefeito dessa cidade do leste da França, em virtude de uma ordem do ministro do Interior, Manuel Valls. Se os juízes não decidirem a favor do comediante, seu advogado apresentará um recurso perante o Conselho de Estado, máxima instância de litígios administrativos na França.

O Ministério do Interior enviou ontem uma circular aos delegados do governo com competências nas 22 cidades às quais Dieudonné quer levar seu espetáculo Le Murr, que já estreou em Paris, descrevendo o material legal a utilizar para impedir a representação do comediante sem ir de encontro ao direito à liberdade de expressão.

Da mesma forma que Nantes, outra cidades como Orleans, Tours, Bordeaux e Caen, também proibiram os espetáculos do humorista. Condenado sete vezes definitivamente por injúrias racistas, Dieudonné está na mira do governo depois de fazer várias piadas envolvendo dois jornalistas de origem judaica e câmaras de gás.

Fraude fiscal. Além de tentar evitar que o ator subisse aos palcos, argumentando que o que faz "não é arte, mas discursos políticos que ofendem a dignidade das pessoas", o Estado francês investiga também a situação fiscal de Dieudonné, francês de origem camaronesa. O comediante, que se declara insolvente, não pagou os mais de 60 mil euros de multas a que foi condenado.

A sociedade com a qual trabalha, seus direitos autorais e os lucros de suas peças de marketing, como bonés e camisetas, estão no nome de sua namorada e de sua mãe.

Além disso, e segundo o diário "Le Monde", o humorista pode estar utilizando seu país de origem, Camarões, para lavar dinheiro através de uma empresa de fachada em nome de um de seus filhos. Segundo o jornal, Dieudonné enviou a Camarões 400 mil euros desde 2009 e, só em 2013, 230 mil euros. / EFE

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