Governo Hatoyama começa com 72% de apoio popular no Japão

Premiê toma posse e promete recuperar economia; novo gabinete começa com reuniões com antecessores

Efe,

17 de setembro de 2009 | 08h36

O novo Gabinete japonês, com o primeiro-ministro Yukio Hatoyama no poder, começou os trabalhos nesta quinta-feira, 17, com uma série de reuniões com seus antecessores do Partido Liberal-Democrata (PLD) e um apoio popular de 72%, segundo a agência local Kyodo.

 

Em sua primeira jornada de trabalho, os 17 novos ministros - a maioria sem experiência neste tipo de cargos - começaram a trabalhar para dar ao Japão o novo rumo prometido por Hatoyama, após 54 anos de governo quase ininterrupto do PLD. Segundo uma pesquisa realizada pela agência, 72% da população respalda o novo Executivo, muito acima do apoio de 48,6% com o qual contava o anterior governo de Taro Aso quando iniciou seu mandato, em setembro de 2008.

 

Após ser eleito formalmente chefe do Executivo, Hatoyama se reuniu nesta quinta com o presidente do maior sindicato japonês (o Rengo), Tsuyoshi Takagi, um dos que tinha mostrado seu apoio ao Partido Democrático (PD) antes de sua histórica vitória nas urnas, no último dia 30 de agosto. Hatoyama reiterou a Takagi seu compromisso com a criação de trabalhos estáveis, ao mesmo tempo que reconheceu que o setor do emprego é um dos desafios mais significativos do novo governo.

 

O titular de Finanças japonês, o veterano Hirohisa Fujii, de 77 anos, disse ao seu antecessor, Kaoru Yosano, que se assegurará de "não cometer nenhum erro" à hora de dirigir a economia da segunda potência mundial. O responsável de Relações Exteriores, Katsuya Okada, abordou por sua parte com o anterior chefe da diplomacia, Hirofumi Nakasone, a situação dos laços com os Estados Unidos, um dos principais aliados do Japão. Segundo a Kyodo, entre outras questões, Okada tratou com Nakasone sobre a missão logística japonesa de apoio aos EUA no Índico e lhe assinalou que o novo governo a revisará antes de uma eventual prolongamento.

 

Crítico da globalização, Hatoyama desterrou a ordem política do pós-guerra no Japão ao vencer com folga o Partido Liberal Democrata (PLD). Ele herda uma economia que começa a sair da sua mais profunda recessão em décadas, provocada pelo queda das exportações que sustentam o país, em meio à crise global. Ele também precisa resolver o problema de uma dívida que é quase o dobro do PIB do país, após anos de gastos do governo anterior em obras públicas e incentivos a grandes empresas.

 

O desemprego atingiu a alta recorde de 5,7%, e as despesas com uma população que envelhece rapidamente ameaçam as finanças públicas.

 

Afirmando que as dificuldades do país são consequência de anos de má administração, Hatoyama declarou que uma de suas metas é pôr um freio no poder dos burocratas. Seu discurso foi bem aceito pelos eleitores decepcionados após décadas de gastos perdulários e políticas em favor dos grupos próximos do poder.

 

O novo premiê também prometeu destinar mais fundos a famílias em dificuldades e criar uma rede de segurança social mais consistente. Ele espera que uma maior segurança econômica estimule o consumo, tirando o Japão da dependência das exportações para crescer. "Em primeiro lugar, vamos adotar políticas para aumentar a renda das famílias", disse o novo premiê.

 

(Com The New York Times)

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