Governo húngaro poderá impor toque de recolher

O governo húngaro armou nesta quarta-feira um forte esquema de segurança no centro de Budapeste, capital do país, para impedir que as manifestações pela renúncia do primeiro-ministro, Ferenc Gyurcsany, degenerem em violência e novos confrontos com a polícia. Ao mesmo tempo, o ministro da Justiça deixou claro que as autoridades estudam a possibilidade de impor o toque de recolher na cidade. Nesta quarta-feira, cerca de sete mil manifestantes reuniram-se novamente para pedir a renúncia de Gyurcsany, que na terça-feira disse que permaneceria no governo para realizar reformas econômicas no país. Os protestos começaram no domingo à noite, depois que a rádio estatal divulgou a gravação de um discurso feito por Gyurcsany a correligionários de seu partido em maio, no qual ele admitia ter mentido sobre a situação da economia húngara para conseguir reeleger-se, nas eleições de abril. A idéia do toque de recolher foi levantada pelo ministro da Justiça Jozsef Petretei, que também disse na rádio estatal que o governo "vai tomar quaisquer medidas necessárias" para impedir manifestações. Ele foi separadamente citado pela hirTV, tendo dito que "o uso de armas seria justificado" pela polícia para barrar alguns dos mais violentos radicais dos últimos dois dias.Os comentários mais duros refletiram a crescente tensão diante do grande número de manifestantes que juntaram-se pelo quarto dia nesta quarta-feira na Praça Kossuth. As sete mil pessoas compareceram aos protestos na noite desta quarta-feira juntaram-se em frente a um atento grupo de 100 policiais. Centenas de oficiais de polícia também estavam sentados em ônibus nos arredores."A Constituição estabelece claramente o que pode ser feito em casos como este. Temos de avaliar e, se a tendência vista não mudar, temos de considerar a introdução do toque de recolher ou o recurso a outras ferramentas", disse o ministro da Justiça, Jozsef Petretei, a uma rádio local. O número de manifestações foi menor nesta quarta-feira. Nos últimos dois dias, cerca de 10 mil pessoas se concentraram diante do Parlamento para exigir a renúncia de Gyurcsany. Desse total, algumas centenas partiram para a violência, o que deixou um saldo de pelo menos 200 feridos, incluindo 4 policiais em estado grave, e 137 presos.

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