Governo indiano compra cartas de Gandhi por US$ 1,3 mi

O governo da Índia comprou por US$ 1,28 milhão um arquivo de correspondências trocadas entre Mahatma Gandhi e seu amigo Hermann Kallenbach. No ano passado, a publicação de um livro deu início a uma polêmica incomum sobre se Gandhi teve um amante gay.

AE, Agência Estado

10 de julho de 2012 | 13h48

A biografia "Mahatma Gandhi e Sua Luta Com a Índia" escrito por Joseph Lelyveld, que vencedor do prêmio Pulitzer, inclui passagens que alguns leitores interpretaram como sugestões de que Gandhi e Kallenbach, um arquiteto judeu alemão, eram mais do que grandes amigos.

O foco na sexualidade de Gandhi irritou muitos indianos, dentre eles políticos e parentes do líder político. Para muitos, a sugestão de que o pai da pátria possa ter sido homossexual, algo que Lelyveld nega, equivale a uma blasfêmia. No Estado natal de Ganhi, Gujarat, o livro foi proibido.

Com a compra dos documentos pelo governo indiano, a amizade de Gandhi e Kallenbach é novamente o centro das atenções. O anúncio da compra foi feito nesta terça-feira governo indiano. Inicialmente, o material seria leiloado na Sotheby''s, em Londres.

O ministro da Cultura da Índia disse que a decisão foi tomada depois de especialistas que avaliaram o material, composto principalmente por cartas trocadas entre os dois, recomendou que ele fosse adquirido "como questão de alta prioridade".

O arquivo inclui cerca de 1.000 cartas, documentos e telegramas trocados entre os dois entre 1905 e 1945, assim como vários presentes que Gandhi deu a Kallenbach ao longo dos anos. O material, cuja maior parte não foi publicada, pertencia originalmente a Kallenbach, que se tornou amigo próximo de Gandhi durante o período em que os dois moraram na África do Sul. O arquivo foi colocado à venda pela sobrinha-neta de Kallenbach.

Embora o significado histórico desses documentos vá além do relacionamento pessoal de Gandhi com Kallenbach - talvez mostrando a evolução da filosofia de Gandhi - a questão sexual deve ser a que interessa grande parte das pessoas.

Em nota divulgada à imprensa, Gabriel Heaton, chefe da divisão da manuscritos da Sotheby''s, descreveu o arquivo como "um testamento do significado de Kallenbach na vida de Gandhi como um importante membro de seu círculo interno e é ricamente informativo sobre a importância da amizade entre os dois homens, o que o torna uma fonte biográfica sobre Gandhi".

Sanjiv Mittal, graduado funcionário do Ministério da Cultura indiano, disse que a compra do material não tem nada a ver com a controvérsia sobre a sexualidade de Ganhi, lembrando que o Arquivo Nacional estava ansioso para completar sua atual documentação sobre Gandhi e Kallenbach. "Nós já temos parte da coleção", declarou Mittal. "A ideia é preencher esta lacuna." As informações são da Dow Jones.

Mais conteúdo sobre:
ÍndiaGandhicartas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.