REUTERS/Adnan Abidi
REUTERS/Adnan Abidi

Governo indiano lança polêmica lista de recomendações a turistas no país

Entre as medidas descritas pelo ministro de Cultura e Turismo do país está a de 'não usar saias', 'não sair a noite em cidades pequenas' e enviar uma foto da placa dos veículos que andarem para amigos

O Estado de S. Paulo

29 Agosto 2016 | 12h00

NOVA DÉLHI - O ministro de Cultura e Turismo da Índia, Mahesh Sharma, informou nesta segunda-feira, 29, que o governo está entregando folhetos turísticos de boas-vindas nos quais recomenda aos visitantes, entre outras aspectos, que "não usem saias". "Os turistas, quando chegam ao aeroporto, recebem um 'pacote de boas-vindas' com um papel no qual são mencionadas coisas que devem ou não fazer", indicou Sharma em entrevista coletiva na cidade de Agra, no norte da Índia e onde fica o Taj Mahal.

Sharma explicou que o informativo recomenda aos visitantes que "não saiam à noite em pequenas cidades, não usem saias e fotografem a placa do veículo que andarem e a mandem a um amigo".  O ministro indicou que sua intenção não era dizer aos visitantes o que vestir, e, sim, informar que na Índia há diferentes credos religiosos. "Peço respeito por lugares de culto. Se for a certos lugares de culto cubra a cabeça, em outros tire os sapatos, isso é o que eu disse", explicou.

As palavras de Sharma foram rapidamente contestadas pelo prefeito de Nova Délhi e líder opositor, Arvind Kejriwal, que afirmou no Twitter que "as mulheres tinham mais liberdade de vestir as roupas que escolhessem na época das proibições (textos indianos sagrados supostamente escritos há mais de 3 mil anos) do que nos tempos de (Narendra) Modi".

Não é a primeira vez que o ministro de Cultura e Turismo se envolve em polêmica por conta do que fala. No ano passado, ele disse que uma rua de Nova Délhi tinha sido renomeada em homenagem ao ex-presidente indiano APJ Abdul Kalam, "um grande humanista e nacionalista, apesar de ser muçulmano".

Sharma também causou debates depois de dizer que o fato de um muçulmano ter sido assassinado e seu filho espancado por supostamente terem carne bovina em casa foi um "acidente" e que os agressores não tinham a intenção de linchar ninguém.

Há alguns dias, a imprensa divulgou um vídeo no qual membros de sua equipe de segurança batem em um guarda por supostamente deter o veículo ministerial. Sharma lamentou os fatos, assegurando que naquele momento ele não estava no carro. / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.