Governo insiste em realizar segundo turno no Zimbábue

Ministro afirma que saída de oposição é artimanha; Tsvangirai diz que desiste para encerrar onda de violência

Agências internacionais,

23 de junho de 2008 | 07h50

Oficiais do governo do Zimbábue afirmaram nesta segunda-feira, 23, que o segundo turno presidencial acontecerá independente da desistência do rival do presidente Robert Mugabe, Morgan Tsvangirai. Ante a brutal campanha de intimidação por parte do governo de Mugabe - que já havia indicado que não entregaria o poder que exerce com mão-de-ferro desde 1980 -, o líder do principal partido da oposição do Zimbábue, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, pela sigla em inglês), anunciou no domingo sua retirada do segundo turno da eleição presidencial, marcada para esta sexta-feira.  Veja também:  Candidato de oposição no Zimbábue abandona o pleito  EUA querem levar caso do Zimbábue à ONU Segundo a BBC, o ministro da Justiça Patrick Chinamasa afirmou que o anúncio de Tsvangirai foi um artifício da oposição e que o governo ainda não foi notificado formalmente da decisão. Tsvangirai anunciou a sua retirada dizendo que não há sentido em concorrer em eleições que não serão livres e justas e que "o resultado já está determinado" pelo seu adversário. O líder opositor pediu ainda que a comunidade internacional intervenha no Zimbábue para "prevenir um genocídio". Tsvangirai disse nesta segunda-feira que está pronto para negociar com Mugabe, porém apenas se a violência política for interrompida. Segundo o MDC, 86 opositores foram mortos nos últimos meses na perseguição promovida pelo regime de Mugabe. Outros 200 mil membros do partido, segundo Tsvangirai, foram forçados a deixar suas casas para fugir do que chamou de "orgia de violência" do governo. Milícias pró-governo e outros grupos armados, como os veteranos da guerra da independência - além do próprio Mugabe -, deixaram claro em várias oportunidades que qualquer um que votasse na oposição no segundo turno das eleições correria o risco de ser assassinado, afirmou Tsvangirai.  No primeiro turno da eleição, em 29 de março, o MDC obteve a maioria no Parlamento. No entanto, nenhum candidato alcançou a maioria necessária, segundo o resultado oficial, para conquistar a presidência. Tsvangirai obteve 47,9% dos votos e Mugabe, 43,2%, informou o organismo eleitoral zimbabuano. A oposição, porém, insiste que seu candidato venceu o primeiro turno com 50,3% dos votos e afirma que houve fraude na apuração.  Mugabe proibiu que observadores internacionais da União Européia e dos Estados Unidos atuassem no Zimbábue durante as eleições - uma vez que são acusados de tentar derrubar o governo zimbabuano. Na semana passada, o presidente reiterou que o Zimbábue "jamais" seria governado pelo MDC - acusando o partido opositor de defender interesses dos ex-colonizadores britânicos - e advertiu que os veteranos da guerra da independência "pegariam em armas" para evitar que a oposição tomasse posse. Dias depois, Mugabe afirmou que Deus o havia escolhido para dirigir o país e "somente Deus" poderia retirá-lo do poder. Brasil O Brasil suspendeu a missão de observadores eleitorais que iriam para o Zimbábue" a convite do governo local e estimulados por países da região", de acordo com nota do Itamaraty.  A decisão teria sido tomada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em visita à Argélia. "O Brasil lamenta que a situação tenha chegado ao ponto de motivar a desistência do candidato opositor. Ao condenar os atos de violência, exorta as partes, especialmente o governo do Zimbábue, a propiciar um ambiente de calma e tranqüilidade, em que a vontade do povo zimbabuano possa expressar-se democraticamente", diz o comunicado brasileiro.

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