Governo interino do Iraque oferece anistia limitada a rebeldes

O primeiro-ministro interino do Iraque,Iyad Allawi, assinou hoje uma lei de anistia muito aquém doque fora antecipado por altos funcionários iraquianos logo apóssua posse, em junho, quando os Estados Unidos transferiramsoberania parcial ao país. O governo iraquiano só perdoará os rebeldes envolvidos emações que não causaram mortes desde 1º de maio de 2003 - quandoos Estados Unidos declararam encerrada a guerra - até hoje. Aspessoas que se enquadram nos termos da anistia têm prazo de ummês para se entregar. "Esta anistia não é para pessoas que mataram. Essas pessoasserão levadas à Justiça, a começar por (Abu Musab) Zarqawi",afirmou Allawi, referindo-se ao jordaniano líder do grupoMonoteísmo e Jihad, que se responsabilizou por dezenas deatentados e pela execução de vários reféns estrangeiros. Inicialmente, as autoridades haviam dito que a anistia seestenderia aos iraquianos que promoveram ataques que causarammortes, inclusive de soldados americanos e de outros paísesintegrantes das forças de ocupação, mas os Estados Unidosdeixaram claro que não aceitariam isso. Com o perdão, o governo interino espera pôr fim a 15 meses deresistência à ocupação e à transição política. Seu objetivo éatrair os nacionalistas para seu lado, isolando-os de grupos quedesfecham atentados com carros-bomba, que mataram dezenas decivis. Serão beneficiadas pessoas com posse de armas leves eexplosivos ou que esconderam informações sobre gruposterroristas e/ou os ajudaram a cometer crimes.COnfrontos - O anúncio foi feito enquanto confrontos esporádicos persistiamna cidade sagrada xiita de Najaf, ao sul de Bagdá, depois dedois dias de violentos combates entre as brigadas do clérigoMuqtad al-Sadr e os fuzileiros navais americanos. Segundo osmilitares dos EUA, mais de 350 membros da milícia de Al-Sadrforam mortos em dois dias de confrontos em Najaf e outras quatrocidades. Assessores do clérigo negam, dizendo ter perdido 36combatentes. Não há confirmação de fonte independente. Doissoldados americanos também morreram.Cessar-fogo - Líderes religiosos xiitas e o alto funcionário da ONU KhamalBenomar se empenhavam hoje em restabelecer o cessar-fogopactuado entre Al-Sadr e as forças dos Estados Unidos em junho.Na sexta-feira, o governador de Najaf, Adnan al-Zurfi, deu prazode 24 horas para Al-Sadr e sua milícia saírem da cidade, docontrário "correriam risco de morte". Um soldado americano morreu num ataque com granada propelidapor foguete contra seu carro de patrulha num bairro de Bagdá, o925º militar dos EUA morto no Iraque desde o início da guerra emmarço de 2003.

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