Chaiwat Subprasom / Reuters
Chaiwat Subprasom / Reuters

Governo interino tailandês pede respeito à Constituição após lei marcial

Exército promete atuar como mediador da crise política após colocar tropas na rua

O Estado de S. Paulo,

20 Maio 2014 | 09h17

BANGOC - O primeiro-ministro interino da Tailândia, Niwattumrong Boonsongpaisan, pediu nesta terça-feira ao Exército, que declarou lei marcial em todo o país pelos protestos antigovernamentais, que respeite a Constituição e evite a violência. Os militares, por sua vez, disseram que pretendem atuar como mediadores da crise política no país. Com o estado de sítio em vigor, soldados foram mobilizados em pontos estratégicos de Bangcoc e a imprensa foi censurada.

"O governo também deseja a paz, por isso qualquer ação adotada com esse propósito deve ser pacífica e imparcial", afirmou o comunicado do chefe do Executivo, em sua primeira reação após a declaração da lei marcial.

O líder do Partido Democrata, Abhisit Vejjajiva, principal legenda da oposição, defendeu a intervenção militar e comparou a lei marcial a uma ferramenta útil para sufocar situações potencialmente perigosas. O comitê executivo do partido se reunirá amanhã para adotar uma posição.

Negociação. O chefe do Exército tailandês, Prayuth Chan-Ocha, declarou nesta madrugada lei marcial para garantir "a paz e a ordem" nos protestos antigovernamentais, que começaram o outubro passado e nos quais morreram 28 pessoas. Em um anúncio transmitido pela televisão, Prayuth disse que não se trata de um "golpe de Estado" e que o objetivo é evitar que a violência se espalhe entre grupos de manifestantes rivais.

"Vamos fazer com que os manifestantes de ambos os lados se sentem para negociar", afirmou o militar, que nesta madrugada declarou lei marcial em todo o país. "Não usamos a lei marcial com toda sua capacidade. Necessitamos atuar de maneira pacífica e o mais rápido possível, é por isso que solicitamos sua ajuda (da imprensa)"

De um lado, está o grupo pró-governo, ligado ao ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, e do outro manifestantes antigovernamentais, liderados por Suthep Thaugsuban, vice-primeiro-ministro com o Partido Democrata entre 2008 e 2009.

Censura. Os militares proibiram a transmissão de dez canais de televisão que, segundo eles, são vinculados aos antigovernamentais ou pró-governo."Por favor, não sejam tendenciosos, é por isso que ordenamos a vários canais que parem (suas transmissões) temporariamente", explicou o chefe do exército. A censura durará "tanto quanto for necessário", disse o general tailandês.

Prayuth evitou falar das eleições que um dos lados organiza para 20 de julho próximo ou sobre o toque de recolher. Também não deu mais detalhes sobre o que ocorrerá a partir de agora na Tailândia. / EFE

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