Governo iraquiano fecha escritórios da Al Jazira no país

O governo iraquiano ordenou hoje o fechamento dos escritórios da rede de televisão árabe Al Jazira no país, alegando que suas transmissões incitam a população à violência. De acordo com o porta-voz da rede Jihad Ballout, trata-se de uma decisão "tola", que deverá restringir a liberdade de imprensa. "A Al Jazira vai se empenhar em cobrir a situação no Iraque da melhor forma possível, apesar das restrições. Os escritórios deverão permanecer fechados durante trinta dias.O primeiro-ministro interino do Iraque, Ayad Allawi, explicou que, há um mês, o governo reuniu uma comissão independente para monitorar a cobertura diária da Al Jazira "de modo que se verificasse o tipo de violência apoiada por eles, além da exacerbação do ódio e das tensões raciais". Foi com base no relatório dessa comissão que o Comitê de Segurança Nacional ordenou os fechamentos. Segundo o ministro do Interior Falah al-Naqib, a intenção é dar à rede de tevê "uma oportunidade para rever sua política contra o Iraque". "Queremos proteger nosso povo", afirmou.Altos funcionários das forças americanas no país também têm criticado a cobertura da Al Jazira no Iraque, acusando-a de ser um porta-voz da al Qaeda, a rede comandada por Osama Bin Laden, ao transmitir vídeos com mensagens de terroristas. A Al Jazira nega tais acusações.Durante uma entrevista à rede de televisão árabe em Moscou em 25 de julho, o ministro interino de Relações Exteriores do Iraque, Hoshyar Zebari, acusou a Al Jazira de exibir reportagens tendenciosas e deu a entender que alguns de seus jornalistas poderiam ser impedidos de continuar trabalhando no país. "Não toleramos a exploração da liberdade de imprensa. Algumas redes de televisão têm se tornado canais de provocação contra a segurança e os interesses do povo iraquiano. O governo do Iraque não será leniente com relação a este comportamento", afirmou.A Al Jazira já enfrentou problemas com autoridades em outros países árabes, como Arábia Saudita, Kwait, Bahrein, Jordânia e o próprio Iraque, na época de Saddam Hussein, por transmitir críticas de oposicionistas aos governos locais.

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