Governo israelense submeterá jornalistas a análises rigorosas

O governo de Israel submeterá os profissionais de imprensa a rigorosas checagens por parte de seu serviço de segurança Shin Bet, como parte do processo de credenciamento. A nova ordem passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2004, informou nesta segunda-feira o diretor do Gabinete de Imprensa do Estado judeu, Daniel Seaman. Jornalistas israelenses e estrangeiros criticaram a decisão como uma tentativa do governo local de inibir a liberdade de imprensa. A Associação de Imprensa Estrangeira divulgou comunicado por meio do qual manifesta compreender os problemas de segurança enfrentados por Israel, mas alerta para a ausência de evidências de que os jornalistas representariam um risco. A nova política dá às autoridades israelenses um "poder de veto injustificado" sobre quem trabalhará como correspondente estrangeiro no país, advertiu a entidade. A Associação de Imprensa Estrangeira pediu ao governo israelense que reconsidere a medida. Seaman citou razões de segurança ao informar que enviou uma lista com a identidade de mais de 17.000 jornalistas credenciados no país para que o Shin Bet promova uma análise, mas admitiu que ela não será tão rigorosa quanto a checagem à qual são submetidos os profissionais palestinos de imprensa. "Estou certo de que o Shin Bet possui as informações referentes a pessoas que poderiam representar um perigo e eles precisam manifestar sua opinião", disse Seaman à Rádio Israel. O Gabinete de Imprensa de Israel parou de emitir credenciais a jornalistas palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza - muitos dos quais trabalham para agências internacionais de notícias - logo depois do início da nova onda de violência entre israelenses e palestinos, há pouco mais de três anos. O órgão é responsável por supervisionar as necessidades de todos os jornalistas em Israel, sejam eles cidadãos estrangeiros ou não. O Gabinete de Imprensa emite credenciais, ajuda na obtenção de vistos para jornalistas estrangeiros e distribui informações sobre entrevistas coletivas e outros eventos. De acordo com Seaman, depois de os jornalistas solicitarem credenciamento no novo sistema, o Shin Bet avaliará a situação de cada um e informará ao gabinete se eles representam alguma ameaça ou não. Além das restrições, o gabinete passará a cobrar 100 shekels (equivalente a US$ 23) por credencial, disse ele. Até este ano, as credenciais eram gratuitas.

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