Governo japonês aprova lei de auxílio à Tepco para indenizações

Norma prevê criação de uma entidade que assistirá financeiramente a operadora

Efe,

14 de junho de 2011 | 02h52

TÓQUIO - O governo do Japão aprovou nesta terça-feira, 14, uma lei de assistência econômica à operadora da usina de Fukushima, a Tokyo Electric Power Company (Tepco), para enfrentar as milionárias indenizações às vítimas da crise nuclear.

 

A lei, que precisa ser ratificada pelo Parlamento japonês (Dieta) antes de sua entrada em vigor, prevê a criação de uma entidade que assistirá financeiramente a Tepco para assumir as compensações pela catástrofe e perante sua perda de valor na Bolsa de Valores de Tóquio.

 

A operadora anunciou em abril um primeiro pacote de compensações para cerca de 48 mil famílias situadas a uma distância de até 30 quilômetros da usina nuclear, que representará um desembolso de aproximadamente 50 bilhões de ienes (432 milhões de euros).

 

O governo espera que a Dieta dê sinal verde ao plano para garantir o pagamento das milionárias indenizações, a manutenção da provisão elétrica e para dissipar a incerteza sobre o futuro da maior companhia elétrica do Japão, informou a agência Kyodo.

 

A aprovação da lei suscita dúvidas no Parlamento pela possibilidade de a ajuda gerar altas nas tarifas elétricas e pela instabilidade do atual governo do primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, que enfrenta uma crescente pressão para sua renúncia imediata.

 

A Tepco iniciou nesta terça-feira na usina de Fukushima, após vários dias de atraso, os testes de seu novo sistema para descontaminar as mais de 105 toneladas de água radioativa acumuladas na central.

 

O objetivo é reduzir drasticamente a contaminação de água que alaga a usina para que os trabalhadores possam chegar a zonas até agora proibidas pelo alto risco de radiação.

 

Na segunda-feira, a Tepco anunciou que seis de seus operários podem ter sido expostos a radiação entre 264 e 497 milisievert, superior ao máximo de 250 milisievert estabelecido pelo Governo para a crise de Fukushima.

 

O caso dos seis funcionários, que trabalhavam nas salas de controle do reator, se soma ao de outros dois que há algumas semanas demonstraram exposição à radioatividade superior à permitida.

 

A operadora informou que analisará a exposição radioativa de 3.726 operários que estiveram envolvidos nos trabalhos de emergência após a crise nuclear.

 

No sábado, homenagens marcaram os três meses do terremoto e o posterior tsunami que deixaram mais de 23.300 mortos e desaparecidos e danos milionários, além de gerar a crise nuclear mais grave desde a de Chernobyl, em 1986.

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