Governo japonês sofre racha por aprovação do aumento de impostos

O primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, enfrenta nesta terça-feira um racha no seu partido que pode levar à antecipação de eleições, após ter sancionado um aumento tributário que passou na Câmara dos Deputados apesar da rejeição de uma ala rebelde da bancada.

TETSUSHI KAJIMOTO E RIE ISHIGURO, REUTERS

26 de junho de 2012 | 08h55

O plano de elevar o imposto sobre vendas de 5 para 10 por cento ao longo de três anos é considerado o primeiro passo para reduzir a descontrolada dívida pública japonesa, que já supera 200 por cento do PIB, recorde entre os países industrializados.

Após meses de impasse, Noda conseguiu aprovar o projeto após selar um acordo com a oposição, mas 57 deputados do Partido Democrático do Japão (PDJ) votaram contra.

Se pelo menos 54 deles deixarem o partido, os democratas perderão maioria na Câmara, e a próxima eleição, prevista para meados de 2013, pode ser antecipada.

Os rebeldes, comandados por Ichiro Ozawa, afirmam que o aumento tributário contraria a plataforma com a qual o partido foi eleito em 2009, prometendo reduzir a burocracia e os desperdícios no governo em vez de aumentar impostos.

Muitos também temem o impacto do imposto sobre o consumo, num momento em que a economia japonesa ainda se recupera do triplo golpe de um terremoto, um tsunami e um acidente nuclear em março do ano passado.

Mas Noda disse que o Japão não tem tempo a perder. "Sempre estamos atrasando decisões", disse ele em entrevista coletiva. "Quero criar um ambiente político em que não retardamos decisões. A aprovação de hoje na Câmara é um grande passo nessa direção."

Houve especulações de que Ozawa estaria formando um novo partido, mas depois da votação ele disse que tentará mais uma vez convencer o PDJ a abandonar o plano.

"Tomarei a decisão final após realizar meu último esforço", disse o veterano negociador.

Já Noda prometeu lidar "rigidamente" com os rebeldes, mas não ficou claro se o PDJ pretende expulsá-los, algo que não ocorreu com outros dissidentes no passado. Um dirigente democrata disse que o partido tomará a decisão antes de a lei tributária chegar ao Senado.

Analistas do mercado elogiaram a aprovação do plano, visto como uma medida necessária rumo à saúde fiscal do Japão.

"Após anos de deriva política, o governo tomou medidas decisivas para tratar do seu déficit fiscal", disse Tom Byrne, vice-presidente sênior da agência de qualificação de crédito Moody's.

(Reportagem adicional de Kaori Kaneko, Stanley White, Teppei Kasai e Kiyoshi Takenaka)

Mais conteúdo sobre:
JAPAOPOLITICADIVISAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.