Governo Kirchner deve gastar US$ 1,5 bilhão em publicidade oficial

Orçamento nacional argentino será debatido no Parlamento 

Ariel Palacios, correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2014 | 15h13

BUENOS AIRES - Para manter a estrutura de divulgação da história de seu governo, atos e medidas por intermédio dos meios de comunicação na reta final de seu mandato, a presidente argentina, Cristina Kirchner, gastará em 2015 US$ 1,596 bilhão, 16% a mais do que em 2014. Isso é o que indica o projeto de orçamento nacional, que deve ser debatido no Parlamento nos próximos dias.

Segundo o projeto, o volume de fundos que o governo destinará para a publicidade oficial realizada pela chefia de gabinete, o "futebol para todos", as empresas estatais de comunicação, a secretaria de comunicações, supera o valor de US$ 1,186 bilhão que o Ministério de Ação Social destinará à construção de casas populares em 2015.

Dentro dos gastos do governo com o "relato" - nome dado pela presidente para a narração dos atos - estão aqueles destinados ao "futebol para todos", transmissões estatizadas dos jogos de futebol com a veiculação de publicidades apenas do governo federal, com elogios à presidente Cristina ou críticas contra integrantes da oposição.

O governo, por intermédio de um acordo com a Associação de Futebol da Argentina (AFA) e dezenas de clubes, estatizou as transmissões em 2009 com o argumento de divulgar gratuitamente a "paixão popular" do futebol. Em 2015, destinará US$ 165 milhões para esse objetivo, valor superior aos US$ 149 milhões que o governo investirá em pesquisas científicas e tecnologias.

Funcionalismo. Além de destinar mais fundos para o "relato", o governo Kirchner está ampliando a estrutura estatal com a contratação de mais funcionários públicos federais.

Até o fim do mandato, o governo pretende aumentar o número de funcionários públicos em 13 mil pessoas, o equivalente a 36 novas contratações por dia. Desta forma, a administração federal passaria dos atuais 376.145 funcionários para 389.396.

A oposição critica o aumento do funcionalismo, argumentando que a presidente tem a intenção de "colonizar" as repartições públicas com funcionários simpatizantes para "condicionar" o próximo governo, caso não consiga eleger um candidato presidencial kirchnerista. O Senado, que atualmente conta com 4.337 funcionários para atender as necessidades de 72 senadores, terá 6.081 pessoas no ano que vem.

Segundo a Fundação de Investigações Econômicas Latino-americanas (Fiel), o aumento das contratações de funcionários em 2015 consolida o Estado argentino como o principal empregador do país. A Fundação afirma que entre 2002 e 2014 o funcionalismo público cresceu 67% nas esferas federal, provinciais e municipais.

No total, nas três esferas, trabalham para o Estado argentino 3,65 milhões de pessoas. Há 15 anos o funcionalismo era composto por 2,18 milhões. O país conta com 18,7 milhões de pessoas economicamente ativas.

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