Governo libanês se reúne para discutir caso Hariri

Mesmo após a renúncia de seis ministros ligados ao Hezbollah e da declaração do presidente Emile Lahoud de que o governo libanês é ilegítimo, o gabinete do primeiro-ministro Fouad Siniora se reuniu nesta segunda-feira para examinar o anteprojeto da ONU sobre a criação de um tribunal internacional para julgar os assassinos do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri. A decisão de realizar a reunião foi tomada pelo primeiro-ministro Siniora e a coalizão anti-síria Forças do 14 de Março, apesar da renúncia, nos dois últimos dias, dos ministros xiitas do Amal e do Hezbollah, assim como do responsável pela pasta de Meio Ambiente, um cristão próximo ao presidente pró-Síria Émile Lahoud. "Esperamos há um ano por este dia. Deveríamos nos ter reunido com todos por respeito a Rafik Hariri e a todas as pessoas que morreram ou foram feridas, e só depois renunciar", afirmou o titular de Turismo, Joe Sarkis, antes da reunião do gabinete. Outras 21 pessoas morreram no atentado em que Hariri morreu, em 14 de fevereiro de 2005. A maioria parlamentar acusa os grupos xiitas Amal e Hezbollah de fazer o jogo da Síria, que, em conivência com o Irã, quer evitar a criação do tribunal internacional. "Trata-se de um plano sírio-iraniano para derrotar a autoridade legal e impedir a criação de um tribunal internacional", afirmou ontem à noite Saad Hariri, filho do ex-primeiro-ministro assassinado e chefe da maioria parlamentar, após uma reunião da coalizão Forças do 14 de Março. Questionado, o deputado Samir Franjieh disse que o problema está no fato de a "Síria estar diretamente envolvida na questão do tribunal internacional". Relatórios preliminares do comitê investigador da ONU assinalaram a responsabilidade dos serviços de inteligência sírio-libaneses no atentado, cuja repercussão resultou na retirada das tropas e agentes sírios do país após três décadas de presença. Crise prevista Para que o governo se dissolva, "é necessário que um terço de seus ministros renuncie, ou seja, oito dos 24", explicou Franjieh, assinalando que a crise que o país vive "não é nova e estava prevista desde a decisão da criação do tribunal". O deputado descartou uma guerra entre os libaneses e assegurou que os ministros xiitas e o do Meio Ambiente poderão voltar a integrar o gabinete. Os grupos pró-sirios ameaçaram organizar manifestações para provocar a derrubada do governo, o qual acusam de "ditatorial" e pró-ocidental. "A decisão dos ministros xiitas coloca essa comunidade em contraposição a outras", disse, afirmando, no entanto, que a ameaça do Hezbollah em convocar manifestações de rua "não muda nada". O presidente Lahoud disse, por sua parte, que qualquer decisão que o governo tomar será anticonstitucional devido à ausência de um quarto de seus ministros.M

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