Governo líbio acusa a Otan de matar 85 civis

TRÍPOLI

, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2011 | 00h00

O governo da Líbia acusou ontem a Otan de ter matado 85 civis em um ataque aéreo contra o vilarejo de Majar, uma área rural a leste da capital Trípoli. Segundo o representante do regime do ditador Muamar Kadafi, entre as vítimas estão 33 crianças. A aliança atlântica admitiu a operação, mas disse ter atingido alvos militares.

Um representante do governo levou jornalistas para uma visita ao hospital de Zlitan, cidade perto de Majar, que atendeu parte dos feridos. "Os bombardeios não fazem distinção entre soldados, crianças ou idosos", disse o médico Abdulkader al-Hawali. A emissora estatal de TV anunciou luto oficial de três dias.

"Não há indícios de que civis tenham sido feridos no ataque", declarou o porta-voz da Otan, o coronel Roland Lavoie. "Mortes entre militares líbios e mercenários são muito prováveis em razão da natureza da missão", afirmou.

A Otan também informou que realizou 54 ataques aéreos na Líbia na segunda-feira. Entre os alvos listados estavam veículos militares, lançadores de foguetes, depósitos de munições e um navio da Marinha líbia ancorado no Porto de Trípoli.

A ofensiva militar na Líbia, que começou em março, já teve dois episódios, confirmados pela Otan, de ataques a civis por engano. No pior deles, em junho, 9 pessoas morreram e 18 ficaram feridas quando aviões bombardearam prédios em uma área residencial da capital.

Sanções. A União Europeia informou ontem que ampliará a lista de sanções a empresas, indivíduos e órgãos governamentais da Líbia.

O Ministério das Relações Exteriores da França divulgou um comunicado sobre a medida, que deve ser aprovada hoje. O texto diz que a companhia de petróleo Al-Sharara e a Organização para Assuntos Administrativos do governo de Trípoli serão incluídas na "lista negra" da UE, aumentando o número para 49.

As sanções incluem restrição às viagens de indivíduos ligados às entidades e a possibilidade de congelamento de fundos em bancos europeus. / AP e REUTERS

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