Lucas Marie/AP
Lucas Marie/AP

Governo malaio diz que destroços achados em ilha 'provavelmente' são de um Boeing 777

Para o primeiro-ministro Najib Razak, localização da peça é condizente com análise de investigadores do país; especialistas franceses analisarão se fragmento não pertence a outro avião

O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2015 | 10h05

KUALA LUMPUR - O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, disse nesta quinta-feira, 30, que os destroços de um avião achados na Ilha Reunião, no Oceano Índico, "provavelmente" são de um Boeing 777, similar à aeronave da Malaysia Airlines que fazia o voo MH370 e desapareceu em março de 2014.

De acordo com Razak, as autoridades da França enviaram um relatório ao governo malaio sobre um pedaço de asa encontrado nessa ilha, situada ao leste de Madagáscar. "Precisamos verificar se pertence ao MH370. Neste momento, é muito cedo para especular", alertou Najib.

Os pedaços serão enviados à cidade francesa de Toulouse para investigação das autoridades de aviação da França. Uma equipe malaia, que inclui representantes do Ministério de Transporte, do Departamento de Aviação Civil, da Malaysia Airlines e investigadores, viaja para à cidade hoje, enquanto um segundo grupo irá à Reunião.

"A localização é congruente com as análises dos investigadores malaios, que mostram uma possível rota do sul do oceano Índico rumo à África", disse o primeiro-ministro.

Os especialistas estudam também se o fragmento não pertence a outros aviões, incluindo um bimotor que sofreu um acidente em maio de 2006 perto do litoral da ilha, um Airbus 310-300 de Air Yemenia que caiu em junho de 2009 e um Boeing 767 de Ethiopian Airlines acidentado em 1996, os dois últimos em águas do arquipélago de Comores.

O Boeing 777 da Malaysia Airlines desapareceu em 8 de março de 2014 após mudar de rumo em uma "ação deliberada", segundo os especialistas, 40 minutos depois de ter decolado de Kuala Lumpur e de alguém desligar os sistemas de comunicação.

A bordo viajavam 239 pessoas: 153 chineses, 50 malaios (12 formavam a tripulação), 7 indonésios, 6 australianos, 5 indianos, 4 franceses, 3 americanos, 2 neozelandeses, 2 ucranianos, 2 canadenses, 2 iranianos, 1 russo, 1 holandês e 1 taiwanês.

"Assim que tivermos mais informação ou confirmarmos essa a tornaremos pública. Tivemos muitos alarmes falsos. Pelo bem das famílias que perderam seus entes queridos e sofreram uma incerteza dilaceradora, é importante que possamos encontrar a verdade e fechar esta etapa em paz", sentenciou Najib. 

Os esforços de rastreamento liderados pela Austrália têm-se concentrado em uma vasta extensão do Oceano Índico diante da parte sul da Austrália. A ilha da Reunião, onde os detritos foram encontrados na quarta-feira, é um departamento ultramarino francês situado cerca de 3.700 quilômetros a leste de Madagascar.

"A localização é consistente com a análise feita pela equipe de investigação da Malásia, que mostrou uma rota desde o sul do Oceano Índico até a África", disse Najib em comunicado.

Especialistas em aviação que viram imagens dos destroços disseram que pode ser uma superfície da asa que se movimenta, conhecida como flap, situada perto da fuselagem. "É quase certo que o flap é de uma aeronave Boeing 777. Nosso investigador-chefe aqui me disse isso", declarou vice-ministro dos Transportes da Malásia, Abdul Aziz Kaprawi.

Caso seja confirmado como parte do Boeing 777 desaparecido, especialistas tentarão traçar sua rota para estabelecer de onde os destroços podem ter saído, embora tenham advertido que seja improvável que a peça possa ajudar na localização final da aeronave para além do vasto leque de oceano na Austrália, que tem sido o foco da busca por meses.

"Este destroço, caso seja do MH370, estava na água por mais de um ano, então pode ter se locomovido para tão longe que não será útil em rastrear precisamente onde a aeronave está", disse o vice-premiê australiano, Warren Truss, a repórteres. "Certamente iria sugerir que a área de busca é aproximadamente no lugar certo", acrescentou. / EFE, REUTERS e AFP

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