EFE/Stephanie Lecocq
EFE/Stephanie Lecocq

Governo May ganha moção de confiança no Parlamento, apesar de minoria

Com o apoio de partido norte-irlandês, Câmara dos Comuns aprova programa legislativo da primeira-ministra britânica

O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2017 | 20h45

LONDRES - A Câmara dos Comuns aprovou nesta quinta-feira o programa legislativo da primeira-ministra britânica, Theresa May, sem emendas, permitindo que ela conseguisse a primeira moção de confiança do novo governo conservador com minoria no Parlamento.

May e seu Partido Conservador contaram com o apoio dos dez deputados do Partido Unionista Democrático (DUP), da Irlanda do Norte, para fazer avançar seu programa para os dois próximos anos. May ainda enfrenta uma rebelião de sua bancada – dividida entre outras coisas pela saída do Reino Unido da União Europeia ou a austeridade orçamentária – que poderia colocar seu cargo em perigo.

May voltou antecipadamente de uma viagem a Berlim e seu ministro da Defesa, Michael Fallon, deixou Bruxelas para a votação, reforçando a posição precária da premiê depois que seu Partido Conservador perdeu a maioria parlamentar em uma eleição antecipada convocada por ela para 8 de junho, em que esperava ampliar seu apoio no Parlamento.

Na quarta-feira, May viu ser derrubada uma tentativa do Partido Trabalhista, de oposição, de derrotá-la em uma votação sobre o pagamento do setor público, graças em parte ao apoio de um pequeno partido da Irlanda do Norte com o qual a premiê fechou um acordo para conseguir aprovar projetos do governo.

Também foi esse apoio que ajudou a primeira-ministra a obter votos suficientes para aprovar seu programa de governo, apresentado ao Parlamento por meio do Discurso da Rainha na semana passada, por 323 votos a 309.

"Essa é a forma com a qual pretendemos governar. Viver com os nossos meios, criando bons empregos, pagando bem às pessoas, investindo no futuro ao trabalhar com os empresários... implementando a vontade do povo britânico de deixar a UE em uma forma que seja ordeira e sensível", disse o ministro dos Negócios, Greg Clark, antes da votação.

"Votamos nesta noite não apenas em um programa, mas em uma abordagem fundamental para o futuro deste país."

A votação não foi sem dificuldades. Partidos de oposição apresentaram emendas que testaram a lealdade dos aliados de May, e o governo teve de fazer uma concessão sobre direitos de aborto, liberando recursos na Inglaterra para mulheres que chegam da Irlanda do Norte para realizar abortos, de forma a evitar uma derrota.

Outras emendas desafiaram a posição da premiê sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, exigindo que o país permaneça no mercado comum do bloco, e sobre as medidas de austeridade, criticando May por não investir no crescimento econômico. Ambas foram derrotadas. / REUTERS

 

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