Alex Cruz/Efe
Alex Cruz/Efe

Governo mexicano anuncia morte do chefe do tráfico 'El Chayo'

Traficante havia sido dado como morto em 2010, mas seu corpo nunca foi apresentado

O Estado de S. Paulo,

10 de março de 2014 | 16h34

O governo do México deu no domingo 9 um duro golpe no narcotráfico ao anunciar a morte de El Chayo, um dos principais chefes do tráfico, que já tinha sido dado como morto em 2010.

Nazario Moreno González, conhecido como El Chayo, liderava o cartel A Família Michoacana e dirigia o grupo criminoso que surgiu dessa organização, Os Cavaleiros Templários. Ele era um dos personagens mais conhecidos e temidos do Estado de Michoacán, responsável por extorsões, sequestros e "múltiplos homicídios", disse o porta-voz de segurança do governo, Monte Alejandro Rubido.

No dia 10 de dezembro do 2010, o então porta-voz de segurança, Alejandro Poiré, informou a morte de El Chayo durante um confronto registrado na véspera perto da cidade de Apatzingán, em Michoacán. A versão oficial dizia que seu cadáver tinha sido recuperado pelo grupo, o que nunca permitiu ao governo de Felipe Calderón provar a morte do traficante. Com o tempo a morte de El Chayo caiu no descrédito.

Em Michoacán, e especialmente na região conhecida como Terra Quente, El Chayo era dado por muitos como vivo. Embora não aparecesse publicamente, continuava operando como um dos dirigentes dos Cavaleiros Templários, que têm forte presença em Michoacán.

No domingo, El Chayo morreu ao enfrentar militares que queriam detê-lo perto do município de Tumbiscatío. Desta vez as autoridades têm seu cadáver. A identidade foi confirmada comparando as impressões digitais dos registros oficiais com as do corpo.

Há várias semanas, as autoridades buscavam por González. O cerco se fechou no dia 7, quando as autoridades apreenderam um veículo e um equipamento de comunicação que se acreditava ser de propriedade do traficante. Rubido não detalhou se El Chayo estava acompanhado de outras pessoas e se houve outras vítimas no choque armado.

A morte do El Chayo é a última de uma série de ações contra o grupo desde que o governo federal entrou no Estado, que alguns analistas acreditavam estar à beira de ser considerado como "fracassado". Os Cavaleiros Templários chegaram a controlar territórios de Michoacán, sequestravam, extorquiam os produtores agrícolas e empresários da região e arrecadavam cotas como se fossem impostos, em meio a um vazio de autoridade.

Isso motivou o surgimento, há um ano, dos primeiros grupos de civis armados que foram contra os abusos do grupo e que, com o tempo, se estenderam por diversos pontos de Michoacán.

Em janeiro o governo de Enrique Peña Nieto decidiu tomar as rédeas da situação, assumir funções de segurança que sempre deveriam ter sido do Estado e dos municípios e enviar milhares de soldados e policiais para garantir a segurança na região. Desde então foram detidos vários dirigentes do grupo./ EFE

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.