Governo militar de Mianmar estende prisão de oposicionista

A junta militar que governaMianmar estendeu na terça-feira a prisão domiciliar da líderoposicionista Aung San Suu Kyi, uma manobra que deve deixarfrustrados os países do ocidente responsáveis por prometermilhões de dólares em doações para as vítimas do cicloneNargis, que atingiu o país asiático recentemente. Em Yangun, autoridades dirigiram-se até a casa daoposicionista, vencedora do Nobel da Paz, para comunicar-lhesobre a prorrogação de seis meses da ordem de prisão, afirmouum membro do governo que não quis ter sua identidade revelada. No entanto, um diplomata que trabalha na cidade disse que aprorrogação era de um ano. Suu Kyi, 62, cujo partido Liga Nacional para a Democracia(NLD) venceu com folga as eleições de 1990 apenas para serimpedido pelo militares de subir ao poder, passou quase 13 dosúltimos 18 anos sob algum tipo de regime de encarceramento. O atual período de prisão começou em 30 de maio de 2003,para "a proteção dela", segundo o governo. A medida foi adotadaapós um conflito, na cidade de Depayin (norte), entresimpatizantes da oposição e homens ligados à junta militar. A mais recente de uma série de prorrogações de um anoexpirou na terça-feira. Não obstante poucos preverem que SuuKyi fosse libertada, a extensão representa mais um lembrete darecusa dos militares em fazer qualquer tipo de concessãopolítica internamente, e isso mesmo depois de, de formarelutante, terem aceitado a ajuda da comunidade internacionalpara atender às vítimas do ciclone de 2 de maio. Horas antes de ser anunciada a prorrogação, a políciaprendeu 20 membros do NLD que tentavam realizar uma passeataaté a casa de Suu Kyi. Os meios comunicação controlados pelogoverno elogiaram na terça-feira a Organização das NaçõesUnidas (ONU) devido à ajuda enviada aos 2,4 milhões de vítimasdo ciclone, sugerindo uma melhoria nas distantes relações dajunta militar com o mundo externo. O jornal New Light of Myanmar, publicado em inglês eprincipal porta-voz dos generais dirigentes, disse que asagências da ONU adotaram uma "ação imediata" a fim dedistribuir suprimentos após o desastre natural, que deixou 134mil pessoas mortas ou desaparecidas. Ativistas criticaram o secretário-geral da ONU, BanKi-moon, por não ter se referido abertamente à prisão de SuuKyi em uma visita recente que fez a Mianmar, visita essa que ochefe da entidade mundial descreveu como sendo exclusivamenteuma missão humanitária. "É vergonhoso que Ban Ki-moon tenha viajado até Burma(antigo nome de Mianmar) e não tenha nem mesmo mencionado onome dela", afirmou Mark Farmaner, diretor da Campanha BurmaUK. "Ele está fazendo o jogo do regime. A ONU ficou de joelhosdiante do regime, com medo de falar a verdade porque issopoderia prejudicar seus esforços de ajuda, algo que o governo,de toda forma, já vem dificultando", disse. Três semanas depois de ventos de 190 quilômetros por hora euma imensa coluna de água provocados pelo ciclone teremdevastado a região do delta de Irrawaddy, a ONU diz que menosde uma de cada três das vítimas recebeu ajuda até agora.(Com reportagem de Nopporn Wong-Anan e Ed Davies em Bangcoc)

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