Governo minimiza ato sindical contra Cristina

Ministros rejeitam comparações com atos que derrubaram o presidente Fernando de la Rúa em 2001; saques são registrados em Bariloche

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2012 | 02h10

O governo da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, criticou ontem a manifestação organizada pelas principais centrais sindicais argentinas, a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) e a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA). Horas antes, sob a alegação de que não tinham o que comer, moradores da periferia de Bariloche, no sul do país, saquearam supermercados e lojas.

O ministro do Planejamento Julio de Vido rejeitou a comparação do protesto de quarta-feira com as manifestações de rua que levaram à queda do presidente Fernando de la Rúa, há 11 anos. "Em 2001, os trabalhadores pediam a devolução de suas poupanças, não estavam pedindo dólares para ir a Miami."

O ministro do Interior Florencio Radazzo questionou a utilização da data do protesto, ocorrido no mesmo dia do início dos protestos contra De La Rúa e disse que a manifestação não passou de um ato pequeno.

A presidente Cristina Kirchner passou o dia das manifestações na residência oficial de Olivos, na Grande Buenos Aires, e chegou à Casa Rosada após o discurso do líder da CGT, Hugo Moyano, na Praça de Maio. Na sede do governo argentino, Cristina recebeu empresários e políticos, mas não falou da manifestação.

Líderes sindicais ainda leais ao governo também criticaram a escolha da data do protesto. "Foi uma falta de respeito irracional e oportunista", disse o secretário-geral da facção governista da CTA, Hugo Yasky.

Saques. Em Bariloche, um dos principais destinos turísticos da Argentina, cerca de 100 pessoas participaram dos saques a um supermercado. Houve confronto com a polícia e a tensão se espalhou pela periferia da cidade. Ao menos outros dois supermercados, açougues e mercearias também foram saqueados.

Segundo a polícia local, havia pouca segurança no supermercado Changomas, o primeiro a ser atacado. Os moradores de bairros pobres atacaram o local com pedras e paus. Com os rostos cobertos, exigiram que os funcionários do supermercado lhes entregassem víveres.

A situação saiu de controle e os moradores invadiram a loja e roubaram, além de alimentos e bebidas, eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos.

Rumores sobre a possibilidade de saques nos bairros mais pobres de Bariloche circulavam pela cidade havia vários dias. O prefeito Omar Goye já tinha sido alertado por líderes comunitários sobre o risco de ataques e pediu a redes de supermercado que doassem cestas básicas aos mais pobres.

Clarín. Na quarta-feira, o governo Cristina apresentou um novo recurso na Justiça argentina contra uma decisão favorável ao Grupo Clarín, maior conglomerado de comunicação do país, que luta contra artigos da Lei de Mídia que determinam o desmonte de parte dos ativos da empresa.

Segundo o ministro da Justiça Julio Alak, o governo entrou com um recurso chamado per saltum, que possibilita que a Suprema Corte intervenha em casos de tribunais inferiores.

Na terça-feira, o juiz Horacio Alfonso da Vara Civil Comercial de Buenos Aires, acatou um recurso do Grupo Clarín e voltou a suspender artigos da Lei de Mídia que determinam o desmonte de empresas que excedam o limite de ativos previsto na legislação. Na semana passada, o mesmo juiz tinha tomado decisão favorável ao governo. Entidades de classe têm denunciado a pressão do governo sobre os juízes encarregados do caso. / AP e EFE

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