Leo La Valle/Efe
Leo La Valle/Efe

Governo minimiza dimensões do panelaço contra a presidente

Mais de 700 mil pessoas, segundo a polícia, participaram de manifestação contra Cristina Kirchner

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

09 de novembro de 2012 | 12h06

BUENOS AIRES - Mais de 700 mil pessoas, segundo cálculos da Polícia, participaram do panelaço da quinta-feira à noite contra a presidente Cristina Kirchner para protestar contra os escândalos de corrupção dos integrantes do governo, a escalada da inflação, o aumento da criminalidade, entre outros. A própria residência presidencial de Olivos, onde estava a presidente Cristina, foi rodeada por 20 mil pessoas que manifestaram-se contra sua administração e seus gastos em luxos, entre eles, os RS$ 1 milhão destinados à reforma de um toilette na Casa Rosada.

No interior do país centenas de milhares de pessoas também protestaram batendo panelas. O panelaço foi convocado pelas redes sociais e não teve a participação oficial dos partidos políticos da oposição. Os analistas sustentam que o panelaço desta quinta-feira à noite foi a maior mobilização popular ocorrida desde os tempos da volta à democracia, em 1983.

No entanto, nesta sexta-feira de manhã, os representantes do governo tentavam minimizar o impacto e a dimensão do panelaço. "Poucas pessoas. Foi um fracasso", analisou o piqueteiro Luis D'Elía, o principal líder social aliado do governo Kirchner. Fervoroso kirchnerista, D'Elía sustentou que "somente 50 mil pessoas manifestaram-se na cidade de Buenos Aires".

"Essa manifestação não me tira o sono. Não sei se é preciso levar isto em conta", afirmou o senador Aníbal Fernández, braço-direito da presidente Cristina na câmara alta. Segundo Fernández, que foi chefe do gabinete de ministros de Cristina, a manifestação foi organizada pelo prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, de oposição, além da Sociedade Rural e simpatizantes da ditadura militar (1976-83). Fernández também sustentou que os manifestantes "não tinham uma comunidade de idéias" sequer "uma unidade de concepção".

A pesquisadora de opinião pública, Mariel Fornoni, afirmou que é imprevisível como o governo reagirá aos panelaços nos próximos tempos. Fornoni disse ao Estado que "a médio prazo o governo Kirchner talvez poderia capitalizar os panelaços com uma mudança de atitude. A oposição, até agora, não conseguiu capitalizar isto".

Segundo a socióloga, diretora da consultoria Management & Fit, o panelaço também constituiu um recado à oposição, para que esta apresente alternativas políticas. "Mas, o panelaço foi principalmente direcionado ao governo, que tem a maior responsabilidade da situação", diz Fornoni.

Os líderes da oposição não participaram das marchas desta quinta-feira e também mantiveram low-profile na rede de micro-bloggings Twitter.

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