Governo não admite, mas inflação é estimada em 25%

Divulgação de índice que não seja o oficial, apontado como 'maquiado' pela oposição, está sujeita a multa

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h04

Cristina Kirchner qualifica de "desestabilizadores" os economistas, sindicalistas e políticos que elaboram índices próprios de inflação, já que as estimativas oficiais, do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), são suspeitas de manipulação há seis anos. Segundo a presidente e seus ministros, praticamente não existe inflação no país, já que, neste ano, o índice oficial está na faixa de 10%. No entanto, os economistas quase triplicam o cálculo oficial e sustentam que 2012 concluirá com uma inflação real superior a 25%.

As expectativas da população para os próximos doze meses são mais sombrias. Segundo um relatório da Universidade Di Tella, os argentinos esperam uma alta de preços superior a 30%.

Durante sua recente visita à Universidade Harvard, nos EUA, Cristina menosprezou cálculos das consultorias e disse que "se o país tivesse uma inflação de 25%, explodiria".

Nos últimos dois anos as consultorias foram proibidas de divulgar estimativas de inflação dentro da Argentina sob o risco de serem multadas pelo secretário de comércio interior, Guillermo Moreno.

A negação da existência da inflação também se reflete na emissão das notas de 100 pesos, a de maior valor numérico na Argentina desde 1991. A cédula vale atualmente 35% do que valia em 2007, ano em que Cristina tomou posse do primeiro mandato.

Deputados da oposição tentam convencer o governo a emitir notas de 200 e 500 pesos. No entanto, a Casa Rosada rejeita categoricamente a emissão dessas cédulas, o que implicaria admitir a escalda inflacionária.

Nos recentes panelaços contra Cristina, os manifestantes exigiram que o governo admita a existência da inflação e tome medidas para combatê-la

Os sindicatos exigem aumentos salariais de 25% a 30%. No entanto, o governo deixa claro que não respaldará reividicações superiores a 20%.

O número sem-teto em Buenos Aires registrou uma escalada nos últimos sete anos. De um total de 2 mil em 2005, alcançou a faixa de 16 mil pessoas dormindo ao relento na capital argentina em 2012, segundo dados da organização Médicos do Mundo. / A.P.

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