Governo nega saber da compra de mansão pela primeira-dama

Mulher de Enrique Peña Nieto, a ex-atriz Angélica Rivera, comprou casa de construtora envolvida em licitação pública

CIDADE DO MÉXICO, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2014 | 02h02

A presidência do México saiu ontem em defesa da primeira-dama do país, Angélica Rivera, acusada de ter comprado uma mansão de uma empresa ligada a um consórcio escolhido para construir o primeiro trem de alta velocidade mexicano.

Eduardo Sánchez, porta-voz do gabinete do presidente Enrique Peña Nieto, negou conhecimento prévio da compra e também a influência dela na decisão de revogar o contrato com o consórcio liderado por uma empresa chinesa.

A primeira-dama, a ex-atriz de novelas Angélica Rivera, partiu no domingo de manhã com Peña Nieto para a China, onde o casal comparece à cúpula do Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico (Apec) e a um encontro do G-20.

O site de notícias da jornalista mexicana Carmen Aristegui relatou no sábado que o casal presidencial comprou uma casa na Cidade do México avaliada em US$ 7 milhões da construtora Ingeniería Inmobiliaria del Centro, propriedade do Grupo Higa, que participa do consorcio do trem.

O consórcio, liderado pela empresa China Railway Construction Corporation (CRCC), obteve no dia 3 a licitação para construir, por US$ 3,7 bilhões, o primeiro trem de alta velocidade da América Latina, ligando a Cidade do México a Querétaro. Três dias depois, Peña Nieto revogou a concessão, depois que a oposição questionou a transparência do processo de licitação, no qual o consórcio foi o único postulante.

O gabinete de Peña Nieto reagiu à reportagem no domingo dizendo que a compra foi feita exclusivamente pela primeira-dama. A presidência destacou que a casa foi comprada em janeiro de 2012 por Angélica com seus próprios recursos, produto da longa carreira que teve como atriz. Ela protagonizou algumas novelas de sucesso no México, como La Gaviota, um de seus papéis mais conhecidos.

Segundo o porta-voz da presidência, Angélica decidiu comprar dois terrenos vizinhos a sua antiga casa para ampliar a moradia em que o casal viverá quando Peña Nieto terminar seu mandato, em 2018, com os seus seis filhos.

A luxuosa casa, que o site de Aristegui batizou de "Casa Branca de Peña Nieto", tem 1,4 mil metros quadrados, amplos espaços, piso de mármore, piscina, biblioteca e um sistema de luzes de ambientação multicoloridas.

A controvérsia da mansão aprofundou ainda mais a crise institucional em que se encontra o presidente Peña Nieto, que vinha sendo criticado por sua decisão de manter a viagem internacional para a China em meio aos protestos em razão do desaparecimento de 43 estudantes no Estado de Guerrero. / EFE e REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
MéxicoPeña Nieto

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.