Ng Han Guan/AP
Ng Han Guan/AP

Governo norte-coreano não se manifesta sobre fracasso de satélite

Centenas de jornalistas que obtiveram permissão para entrar no país para acompanhar a ação não tiveram informação oficial

Lisandra Paraguassu e Claudia Trevisan, Enviadas Especiais,

13 de abril de 2012 | 14h15

PYONGYANG - O governo norte-coreano não se manifestou depois da confirmação de que o satélite Kunmyongsong-3 "falhou na sua tentativa de entrar em órbita", divulgada pela tevê estatal, e que seus cientistas estariam analisando a causa do problema. Durante todo o dia de ontem, o assunto foi ignorado em Pyongyang.

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O lançamento foi feito às 7h40 da manhã, horário local, mas a informação só foi divulgada 4h30 depois. No entanto, as centenas de jornalistas que obtiveram permissão para entrar no país justamente para acompanhar a ação até agora não tiveram nenhuma informação oficial.

À tarde, todo o alto comando do governo norte-coreano e boa parte da população se reuniu em frente do Museu Nacional da Revolução para a inauguração de uma estátua de 20 metros de altura do ditador Kim Jung Il, morto em dezembro, ao lado da que já existia de Kim Il-sung, seu pai. O novo líder do país, Kim Jong-un, inaugurou pessoalmente as estátuas, assistido por milhares de pessoas. Em nenhum momento o tema do satélite foi tratado e alguns dos presentes, estrangeiros visitando o país, nem mesmo sabiam do resultado do lançamento.

A Coreia do Norte montou uma enorme operação de relações públicas para provar ao mundo que suas intenções eram pacíficas e o lançamento era apenas de um satélite, não um teste para mísseis de longa distância. Em uma situação sem precedentes no país, autorizou a entrada de mais de 150 jornalistas internacionais para acompanhar o evento, mas, na manhã de ontem, o lançamento foi feito em segredo.

Até agora, a única informação repassada pelos agentes do governo local é que às 13h45, hora local, a imprensa será levada a um local ainda desconhecido e de alta segurança.

A falha foi divulgada minutos depois de acontecer pelos governos do Japão, a Coreia do Sul e Estados Unidos, que estavam em estado de alerta desde a quinta-feira, 12, primeiro dia da janela temporal dada pelos norte-coreanos para o lançamento.

A expectativa agora em Pyongyang é sobre a explicação que será dada pelo governo local para a falha no satélite. Esta é a terceira tentativa norte-coreana de colocar um satélite em órbita. As duas primeiras, em 1998 e 2009, teriam fracassado - apesar de, até hoje, a Coreia do Norte afirmar que o satélite de 1998 está em órbita, mas que nenhum outro país pode captar seus sinais porque ele está programado para emiti-los apenas quando sobrevoa o país.

Em meio às comemorações do centenário do fundador do país, Kim Il-sung, a admissão do fracasso é um balde de água fria na projeção que o governo tenta fazer de um país economicamente forte e desenvolvido a partir do centenário de seu patriarca.

 

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