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Governo Obama reconhece que monitora telefonemas de cidadãos americanos

Para Casa Branca, quebra de sigilo é ferramenta essencial para proteger o país de ameaças terroristas

Denise Chrispim Marin - CORRESPONDENTE / WASHINGTON,

06 de junho de 2013 | 11h15

O governo americano reconheceu nesta quinta-feira, 6, que monitora ligações de seus cidadãos para evitar ameaças terroristas. A informação foi revelada pelo jornal britânico The Guardian. Segundo o diário, a operadora de telefonia Verizon recebeu uma ordem  judicial secreta para quebrar o sigilo telefônico de milhões de clientes.

A ordem judicial determina que a empresa, uma das maiores dos Estados Unidos, dê diariamente à Agência de Segurança Nacional (NSA) informações sobre todas as chamadas telefônicas domésticas e internacionais feitas no país. O monitoramento é feito de maneira indiscriminada, sem a necessidade de o cliente ser considerado suspeito de terrorismo.

Ainda não foi confirmado se as outras operadoras de telefonia fixa e celular nos EUA - AT&T, T-Mobile, Sprint Nextel - também foram alvo de ordem judicial similar. A quebra de sigilo foi autorizada uma semana depois do atentado na Maratona de Boston.

A permissão, que tem duração de três meses, começou em abril e termina em julho e abrange o local, o horário e a duração das chamadas, assim como a identificação de quem as fez, mas não seu conteúdo. É a primeira vez que o governo do presidente Barack Obama toma uma medida desse tipo, adotada por seu antecessor, George W. Bush.

A Casa Branca admitiu a existência do monitoramento e o considerou uma ferramenta essencial para proteger o país de ameaças terroristas. "A quebra de sigilo permite à equipe de contraterrorismo descobrir se suspeitos de terrorismo tem entrado em contato com cúmplices dentro dos Estados Unidos", disse um membro do governo, sob condição de sigilo.

A iniciativa do governo de vasculhar as chamadas telefônicas foi imediatamente considerada como uma invasão na privacidade e como parte da maior campanha de vigilância doméstica desde a adoção da Lei Patriota, em 2001. Essa lei, sancionada depois dos ataques da Al-Qaeda aos EUA e ainda em vigência, ampliou o poder de investigação do FBI e de agências de inteligência. O novo escândalo se dá no momento em que a Casa Branca responde ao Congresso pelos granpos em 20 telefones da Associated Press e pela investigação de emails de um jornalista da Fox News.

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