Governo oferece exumação do corpo de Benazir para autópsia

Aliados questionam versão oficial de que a ex-premiê morreu após bater a cabeça em um carro

Efe,

29 de dezembro de 2007 | 14h26

O governo paquistanês ofereceu neste sábado, 29, ao Partido Popular do Paquistão (PPP) da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada na quinta-feira, uma exumação do cadáver para fazer a autópsia, após as dúvidas expressadas sobre a versão oficial da causa da morte.   Veja também: Filha de dinastia, Benazir era figura polêmica Análise: Paquistão em mares desconhecidos Imagens Cronologia: A trajetória de Benazir Vídeo e análise com Roberto Godoy Blog do Guterman: Guerra civil à vista    O porta-voz do Ministério do Interior, Javed Iqbal Cheema, defendeu, em entrevista coletiva, as conclusões da análise médica que determinou que a causa da morte foi um traumatismo craniano produzido por um forte batida na alavanca do teto solar do veículo de onde Bhutto cumprimentava seus simpatizantes, no momento do atentado.   Segundo essa versão, Bhutto bateu na alavanca após uma queda provocada pela onda expansiva da explosão de um terrorista suicida ao lado do veículo, depois de três tiros que não chegaram a atingir a opositora.   Após uma fonte do PPP dizer que esta versão era uma "série de mentiras", e outras pessoas afirmarem que Bhutto apresentava ferimentos de bala, Cheema disse que o PPP é "bem-vindo" para realizar uma autópsia, que, segundo o porta-voz, não foi feita por expresso desejo da família.   Autor   Ao mesmo tempo, ele destacou que "não convém" ao governo mais uma versão que outra, pois o verdadeiramente importante é "descobrir quem a matou".   Nesse sentido, insistiu nas suspeitas de que o atentado tem o envolvimento do líder talibã Baitullah Mehsud, do cinturão tribal fronteiriço com o Afeganistão, que o governo vincula à Al-Qaeda   Um porta-voz do militante paquistanês, porém, divulgou que Mehsud não teve relação com o assassinato. "Eu nego isso enfaticamente. O povo tribal tem seus próprios costumes. Não atacamos mulheres", disse.   Aliados de Bhutto também afirmaram duvidar que o líder taleban esteja por trás do ataque, e acusaram o governo de esconder informações.   O ex-primeiro ministro Nawaz Sharif, antigo rival de Bhutto, culpou o governo militar de Pervez Musharraf por levar o Paquistão a essa "grave crise" que resultou no assassinato de Benazir Bhutto.   "Seus policiais são responsáveis", disse. "Se ele é ou não responsável (pela morte da ex-premiê), uma comissão independente terá que investigar. Nenhuma comissão pode ser independente se Musharraf está a frente deste governo."   A discussão, junto com os conflitos em torno da exata causa da morte, devem aumentar a onda de violência que tomou conta do país após o assassinato de Bhutto.   Com os aliados de Bhutto protestando violentamente ao redor do país, a comissão eleitoral do Paquistão convocou uma reunião de emergência para a próxima segunda-feira para discutir o impacto do assassinato nas próximas eleições parlamentares.   O Partido Popular do Paquistão, que era presidido pela ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, também marcou um encontro para este domingo, que pretende decidir sua participação, ou não, no pleito. O marido da ex-premiê afirmou que seu filho lerá uma mensagem deixada por Bhutto para ser lida ao partido caso ela morresse.   Violência   Os distúrbios registrados no Paquistão, principalmente na província sudeste de Sindh, desde o assassinato de Bhutto deixaram 38 mortos e 53 feridos, informou o porta-voz do Ministério do Interior paquistanês, Javed Iqbal Cheema.   Em entrevista coletiva, Cheema afirmou que a onda de violência causou perdas milionárias em propriedades destruídas pelos manifestantes, mas qualificou de "satisfatória" a situação global de segurança no país.   "Os criminosos estão se aproveitando da tensa situação" gerada pela morte de Bhutto, disse o porta-voz, que detalhou que 174 bancos, 34 postos de gasolina, 765 comércios e 72 vagões de trem foram incendiados nos distúrbios registrados por todo o país.   Um confronto entre a polícia e centenas de manifestantes em Karachi deixou três mortos e 17 feridos, segundo a polícia.   Os números do porta-voz contrastam, no entanto, com os oferecidos pouco antes pelas autoridades do Interior da província de Sindh, que cifrou em 44 os mortos só nessa região, e que 13 bancos, 27 postos de gasolina e 600 veículos foram incendiados na cidade de Karachi.   Os distúrbios mantêm Sindh isolada do resto do país, com todas as linhas de ferrovias cortadas, as lojas e postos de gasolina fechados e constantes focos de violência nas ruas, segundo os canais privados de televisão paquistaneses.   A empresa nacional de ferrovias pediu que o Exército e os "rangers" (paramilitares) mobilizem suas tropas para proteger as ferrovias.   O Exército está posicionado em Sindh e os "rangers" nas principais cidades da província noroeste de Punjab, mas Cheema disse que a intervenção das tropas será "o último recurso" para manter a ordem.   Pouco antes, o presidente do Paquistão havia presidido uma reunião com altos funcionários do governo e responsáveis do Exército e dos corpos de segurança, aos quais ordenou atuar "com firmeza" para restabelecer a ordem no país.

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