Governo palestino convoca reunião para discutir crise

O Governo palestino, imerso em uma crise econômica que piora a cada momento, convocou uma reunião de emergência para discutir os ataques israelenses, que resultaram na morte de 15 palestinos nos últimos três dias. O primeiro-ministro Ismail Haniyeh se reuniu esta tarde com seus ministros de Exteriores (Mahmoud Zahar), de Interior (Said Siyam) e de Informação (Youssef Rezqa) após a morte de 16 palestinos nos ataques do Exército israelense na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, que começaram há três dias. A última morte aconteceu nesta tarde em Belém quando o Exército israelense matou Jaber Al Akhris, de 29 anos e dirigente dos Comitês de Resistência Popular da cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, que tinha se infiltrado na Cisjordânia. Além disso, esta manhã um palestino foi atingido por um míssel disparado pelo Exército israelense no norte da Faixa de Gaza. O Exército israelense disparou 1.200 mísseis contra o norte da Faixa de Gaza nos últimos três dias, matando 15 palestinos, em sua ofensiva contra os militantes que disparam foguetes contra Israel. Ataques mais fortes Durante os últimos dias, a Jihad Islâmica intensificou seus ataques soltando foguetes Qassam da Faixa de Gaza para o território israelense. Segundo observadores, Israel colocou o Governo do Hamas em uma encruzilhada porque, se não houver resposta às agressões, o Governo pode perder credibilidade diante do povo palestino e, se responder, há o risco do próprio primeiro-ministro se tornar um alvo do exercito israelense. Crise A campanha militar israelense na Faixa de Gaza se junta à grave crise econômica sofrida pela Autoridade Nacional Palestina (ANP) desde a posse do Governo do Hamas, na semana passada. O ministro das Finanças palestino, Omar Abdel-Razeq, anunciou em entrevista publicada hoje pelo jornal "Al Ayam" que os 140 mil funcionários da ANP não receberão seus salários antes do dia 15 deste mês, como prometido anteriormente, e na realidade não sabe quando será possível fazer o pagamento. "A situação financeira é muito difícil e é impossível termos uma data específica para o pagamento dos salários", disse Abdel-Razeq. Apesar de vários países do Golfo Pérsico se comprometerem a financiar US$ 80 milhões, esta é uma quantidade inferior aos US$ 120 milhões necessários para pagar os salários da ANP. Abdel-Razeq afirmou que, quando divulgou sua estimativa inicial, não tinha uma visão clara do problema econômico do Governo palestino nem sabia da negativa dos bancos em conceder algum empréstimo. A ANP possui uma dívida de US$ 1,3 bilhões, sendo a metade (US$ 640 milhões) com bancos regionais e locais. No entanto, a crise atual é o resultado de um boicote internacional à ANP, liderado por Israel, EUA e Comissão Européia, que ameaça provocar o colapso da administração palestina. O boicote, a que hoje se somou a Noruega, país promotor dos acordos de Oslo que entrega anualmente 57 milhões de euros à ANP, se deve à negativa do Hamas em reconhecer o direito de Israel de existir e nos acordos de paz assinados entre palestinos e israelenses, assim como renunciar à violência.

Agencia Estado,

09 Abril 2006 | 16h21

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