Governo pede que civis deixem suas casas em Mogadiscio

O governo da Somália, apoiado por tropas etíopes pediu nesta segunda-feira, 2, que civis que vivem na capital deixem suas casas em áreas de maior conflito para uma nova incursão militar contra insurgência islâmica."Nós pedimos aos civis que vivem em áreas de presença terrorista em Mogadiscio abandonem suas casas porque é provável que o governo somali realize ataques nestas regiões a qualquer momento", disse o ministro da Defesa do país, Salad Ali Jelle.Houve esperança no domingo quando um clã de Mogadiscio anunciou que não provocaria mais violência. No entanto, horas depois, novos ataques foram realizados na capital.A ONU diz que 47 mil pessoas, entre mulheres e crianças na maioria, fugiram da capital somali nos últimos dez dias por conta da violência.Nesta segunda-feira pela manhã, Mogadiscio estava calma.O vice-ministro da Defesa afirmou que o governo não reconhece o cessar-fogo negociado entre os militares etíopes e líderes de clãs islâmicos.No entanto, Jelle disse que o governo pretende lutar contra terroristas islâmicos e não criar conflitos com os clãs tradicionais do país. "O clã Hawiye não é terrorista", afirmou o ministro.Situação somaliA situação humanitária piora a cada dia em Mogadiscio, onde os moradores assustados continuam trancados em casa, sem energia elétrica ou água corrente e com poucos alimentos.Milhares de habitantes de Mogadiscio, cidade com população calculada de 2,5 milhões, fugiram para outras regiões com medo de morrer nos violentos confrontos e tiroteios com fuzis e metralhadores que ocorrem entre os dois lados.É impossível estabelecer precisamente quantas pessoas morreram desde que os conflitos começaram, mas calcula-se que o número de mortos poderia ultrapassar os 250, na maioria civis, enquanto os feridos já são cerca de 500. O presidente de transição somali, Abdullahi Yousef Ahmed, quer que todas as milícias que atuam em Mogadiscio tenham se desarmado até 16 de abril, quando começará uma conferência de reconciliação no país que tentará pôr fim às divergências que há 16 anos impedem a governabilidade na nação.A Somália está em meio ao caos político desde 1991, quando os líderes dos clãs tradicionais derrubaram o ditador Siad Barre e dividiram o país em regiões controladas por suas milícias particulares, que lutavam constantemente entre si e exploravam os moradores.Envio de tropasEm 24 de dezembro, a Etiópia enviou tropas à Somália com o objetivo de expulsar os milicianos islâmicos de todos os pontos que controlavam no país, inclusive Mogadiscio.Os etíopes temiam que, em sua expansão, as milícias cruzassem a fronteira comum e desestabilizassem o leste da nação, região que já havia sido alvo de disputa entre os dois países entre 1977 e 1978.A Missão da União Africana na Somália (Amisom) pretende enviar uma força de ajuda de 8 mil efetivos ao país, mas até agora conseguiu apenas disponibilizar um contingente de 1.500 soldados ugandenses, que não estão envolvidos em nenhuma operação de paz e continuam nos quartéis por causa dos ataques dos rebeldes.Os atuais confrontos começaram na quinta-feira, quando os soldados etíopes e as tropas do governo lançaram uma ofensiva contra os redutos dos insurgentes islâmicos com o objetivo de colocar fim à tática de guerrilhas iniciada pelos milicianos após serem expulsos dos grandes centros urbanos da Somália.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.