Governo pede que população boicote 'jornais burgueses'

Presidente convoca povo para protestar nas ruas contra reportagens feitas por publicações de tendência oposicionista

O Estado de S. Paulo,

14 de novembro de 2013 | 22h48

CARACAS - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pediu na quinta-feira, 14, que a população não compre "jornais da burguesia", acusando a imprensa de publicar reportagens tendenciosas para desequilibrar o cenário político do país.

"Que o povo decente, patriota, que está reagindo a essas medidas não compre esses jornais porque são eles que defendem a burguesia parasitária", afirmou, ao exibir a primeira página do diário El Universal que estampava uma manchete destacando o desabastecimento no país - segundo o Banco Central da Venezuela, a falta de produtos da cesta básica venezuelana chega a 22,4%.

Maduro também pediu que o povo vá às ruas protestar contra a ala oposicionista da imprensa. "Até quando continuarão a atacar a Venezuela de maneira impune?", questionou, antes de mostrar a capa dos jornais El Mundo e Diario 2001.

A reação do governo venezuelano contra jornalistas opositores tem se intensificado nos últimos meses. Em outubro, Maduro pediu a prisão de funcionários do Diario 2001 depois da publicação de uma nota que apontava uma suposta escassez de gasolina em Caracas. No começo do mês, outros dois jornalistas e um fotógrafo da mesma empresa foram detidos por algumas horas durante a cobertura de uma feira popular de Natal, organizada na capital.

PAPEL

Também na quinta-feira, o jornal El Impulso anunciou que pode ficar sem papel-jornal nos próximos dias, já que há mais de um ano o governo não repassa dólares para que a empresa compre o insumo.

"Não temos mais capacidade de imprimir no padrão que fazemos", disse o presidente do jornal, Carlos Eduardo Carmonare, que já teve tamanho reduzido de 44 para 28 páginas.

"Estamos recebendo um tratamento distinto. Fizeram diversas solicitações, diferentes de documentos para termos acesso ao dinheiro", afirmou Carmona. O jornal circula no Estado de Lara e tem tiragem entre 56 e 83 mil exemplares. / AFP e AP

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