Presidência do Peru/EFE
Presidência do Peru/EFE

Governo peruano diz que opositores buscaram apoio de militares em processo de impeachment

Aliados do presidente Martín Vizcarra acusam presidente do Congresso de tentar envolver as Forças Armadas no processo de destituição em andamento

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2020 | 03h12

LIMA - O governo peruano denunciou neste sábado, 12, que o presidente do Congresso, Manuel Merino, contactou de forma irregular chefes militares, para "envolvê-los" no processo de destituição contra o presidente Martín Vizcarra.

"Fomos testemunhas de um fato gravíssimo, com a participação do presidente do Congresso, de tentar envolver as Forças Armadas em um processo político no qual não têm que ter nenhuma participação", declarou o premier e general reformado Walter Martos.

O presidente do Congresso negou a versão, mas admitiu que se comunicou com o chefe da Marinha no contexto da crise política em andamento. "Tentou-se confundir a população, fazendo a mesma acreditar que há um complô", criticou Merino em entrevista coletiva.

O Congresso peruano aprovou ontem submeter Vizcarra a um processo de destituição por "incapacidade moral". Ele é acusado de pedir a colaboradores que mentissem em uma investigação sobre um contrato polêmico envolvendo um cantor. O processo terá início na próxima sexta-feira.

Em caso de destituição de Vizcarra, Merino deverá assumir a presidência peruana até o fim do atual mandato, em 28 de julho de 2021, segundo a Constituição.

"A atitude do presidente do Congresso foi temerária, ao pretender envolver as Forças Armadas em um processo político", declarou o ministro da Defesa e general reformado, Jorge Chávez.

O chefe do Legislativo admitiu, pouco depois, que entrou em contato com o chefe da Marinha de Guerra, almirante Fernando Cerdán Ruiz, para lhe explicar o que o Congresso faz, mas negou que se trate de um complô.

Segundo o ministro da Defesa, na última quinta-feira, "antes da votação da moção de vacância (no dia seguinte, no Congresso), o titular do parlamento, Manuel Merino, comunicou-se com o comandante geral da Marinha para discutir este processo". Também telefonou para o chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas, general César Astudillo, mas este não respondeu às chamadas.

"Os telefonemas não apenas foram imprudentes e fora de lugar, mas também vão de encontro à ordem democrática", criticou o ministro.

O premier Martos havia indicado ontem que existia um complô no Congresso para remover Vizcarra. "Convocamos as forças democráticas do Congresso a não se prestarem às tentativas de desestabilizar o país", disse Martos neste sábado./AFP

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