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Governo peruano tenta acalmar os mercados

Ministro da Economia diz que país tem plano de contingência para evitar ataques especulativos e fuga de capitais em caso de vitória de Humala

, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2011 | 00h00

LIMA

O ministro da Economia do Peru, Ismael Benavides, disse ontem que o governo do presidente Alan García está pronto para colocar em prática um planto de contingência econômica caso Ollanta Humala vença realmente as eleições presidenciais.

Nas últimas semanas, vários analistas e investidores manifestaram medo de que Humala, um ex-militar com forte ligação com a esquerda, adote políticas restritivas e intervencionistas que afetem a economia peruana, uma das que mais crescem na América Latina - o PIB peruano cresceu em média 7% nos últimos cinco anos.

"O Banco Central já tem mecanismos para rechaçar qualquer ataque especulativo", afirmou Benavides pouco depois da divulgação das primeiras pesquisas de boca de urna que davam vantagem a Humala.

De acordo com o ministro, qualquer candidato que vença as eleições, seja Humala ou Keiko, deverá agir rapidamente para acalmar os mercados e ganhar a confiança dos investidores internacionais.

Ameaças. Entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais, a bolsa de valores de Lima perdeu cerca de US$ 14 bilhões. Investidores estrangeiros adiaram projetos no país em um montante calculado em cerca de US$ 3 bilhões - 10% do investimento externo anual.

Durante a campanha, para tentar conter as especulações, Humala fez questão de ressaltar que manterá o mesmo modelo econômico adotado pelo atual governo. No entanto, as promessas não diminuíram a tensão do empresariado e do mercado financeiro.

Ontem, o chefe da equipe econômica de Humala, Félix Jiménez, garantiu que "não há nenhuma razão para preocupação". "A política monetária será mantida. A responsabilidade fiscal garantirá a sustentabilidade das contas nacionais", afirmou o economista.

Omar Chehade, possivelmente o próximo vice-presidente de Humala, deu a entender ontem que o futuro ministro da Economia seria "uma pessoa mais independente, fruto de uma concertação nacional".

Maioria parlamentar. Se a vitória de Humala for confirmada, o novo presidente poderá governar com maioria no Congresso, principalmente se conseguir manter a aliança política estabelecida com o ex-presidente peruano Alejandro Toledo - quarto colocado no primeiro turno, que apoio o nacionalista na disputa contra Keiko.

Em abril, a coalizão Gana Peru, de Humala, conseguiu 47 cadeiras do Congresso. Para garantir a maioria, o governo precisa do apoio de pelo menos 66 das 130 cadeiras. O partido de Toledo, o Peru Posible, elegeu outros 21 deputados, a maioria apoiou Humala no segundo turno. Se a aliança política for mantida, Humala pode governar com 68 deputados.

A oposição no novo Congresso peruano deve ser formada por 37 deputados do partido Fuerza 2011, de Keiko, outros 12 eleitos pelo partido do ex-ministro da Economia Pedro Pablo Kuczynski, terceiro colocado no primeiro turno, que apoiou Keiko na disputa. Outros 13 deputados de partidos menores também devem integrar a bancada opositora. / EFE e REUTERS

PARA LEMBRAR

Voto disputado, apuração lenta

As últimas eleições presidenciais peruanas foram decididas na última semana de campanha e sempre marcaram uma disputa polarizada e apertada. Em 2001, Alejandro Toledo derrotou Alan García por 52,7% dos votos contra 47,3%.

Em 2006, García finalmente se elegeu, derrotando Ollanta Humala por uma diferença parecida: 52,6% a 47,4%. Desta vez, mantendo a tradição, Humala e Keiko Fujimori chegam para a decisão no segundo turno empatados tecnicamente em quase todas as pesquisas de opinião.

Além da imprevisibilidade sobre o vencedor, é muito difícil prever quando os resultados finais da disputa serão conhecidos, uma vez que outra marca da eleição peruana é o fato de a apuração dos votos ser bastante demorada.

Outra característica da votação no país é a distribuição dos votos. Humala tem mais eleitores no interior do Peru, onde a apuração tende a ser mais lenta. Keiko, por sua vez, é mais forte na capital e em grandes centros urbanos, principalmente na região costeira, onde a contagem de votos costuma ser mais acelerada.

O Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe, na sigla em espanhol), que organiza as eleições no país, começou apenas recentemente a realizar experiências com urnas eletrônicas. Quase toda a votação e a apuração, portanto, são realizadas manualmente. A totalização dos votos, segundo as autoridades eleitorais, está prevista para o fim do mês.

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