Governo pode enviar mais militares e doações ao Haiti

O assessor presidencial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou hoje, no Itamaraty, que Brasília estuda enviar mais 700 militares e 100 policiais para reforçar a segurança no Haiti. Já o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, anunciou que o governo brasileiro está disposto a aumentar as doações em dinheiro para a reconstrução do país.

DENISE CHRISPIM MARIN E LEONENCIO NOSSA, Agencia Estado

20 de janeiro de 2010 | 17h12

No caso do possível envio de um contingente adicional de militares brasileiros ao Haiti, Garcia fez a ressalva de que essa não é uma decisão que se possa tomar de um dia para outro. Segundo ele, o governo não "vai burlar os trâmites" necessários para o Congresso aprovar o embarque da tropa adicional. A avaliação sobre a necessidade de envio da força adicional, afirmou Garcia, cabe ao Ministério da Defesa.

Hoje, o ministro Nelson Jobim entrou em contato com o presidente do Senado, José Sarney, que convocou reunião extraordinária do comitê representativo do Congresso - que está em recesso - para o dia 28. Nessa data haverá votação do decreto legislativo autorizando o embarque de novo contingente. As sessões de plenário do Senado e da Câmara só se reiniciam no dia 2.

Segundo o assessor da Presidência, há muito tempo o trabalho da missão das Nações Unidas de estabilização no Haiti deixou de ter um caráter de segurança e passou a se concentrar na área de engenharia. Garcia disse que o Haiti, neste momento, mais que um problema de segurança, vive um problema social.

"Mais importante é assegurar que medidas de curto prazo e emergenciais cheguem ao País. Ainda há gente soterrada, gente para ser enterrada e epidemia para ser controlada", disse. "Se se pode encontrar algo positivo, é que, agora, a comunidade internacional não tem mais como dizer que o Haiti não é problema dela."

Mais doações

O ministro Celso Amorim disse hoje que participará, no dia 25, em Montreal, no Canadá, de uma conferência de países doadores de ajuda ao Haiti. Ele afirmou que o Brasil já disponibilizou US$ 15 milhões para ajuda emergencial às vítimas do terremoto.

Pouco antes da entrevista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o telefonema do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Na conversa, segundo Amorim, o secretário-geral agradeceu o trabalho dos soldados brasileiros que integram a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah).

Lula disse que era importante o aumento da organização civil para distribuir e arrecadar doações, o que permitirá que a Minustah esteja mais livre para resolver problemas de segurança.

Segundo terremoto

O ministro Celso Amorim disse que conversou hoje com o embaixador brasileiro em Porto Príncipe, Igor Kipman, que fez um relato sobre o tremor de terra ocorrido hoje por volta das 7h, horário de Haiti. Ele disse que epicentro ocorreu a 60 quilômetros da capital e que até o início desta tarde não havia notícias de vítimas.

Marco Aurélio Garcia acrescentou que, por mais paradoxal que pareça, o segundo terremoto no Haiti, registrado hoje, teve um efeito material menor do que se poderia imaginar no caso de um tremor de 6,1 na escala Richter. Garcia disse que 70% da cidade de Porto Príncipe já estava destruída pelo terremoto do dia 12, e a maioria dos haitianos estava hoje nas ruas.

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