EFE / Massimo Percossi
EFE / Massimo Percossi

Coalizão de populistas e ultradireita toma posse na Itália

Giuseppe Conte prometeu uma política anti-austeridade e voltada para a segurança; Luigi Di Maio, líder do Movimento 5 Estrelas, e Matteo Salvini, chefe da Liga, serão vice-primeiros-ministros

O Estado de S.Paulo

01 Junho 2018 | 11h22
Atualizado 01 Junho 2018 | 11h54

ROMA - O primeiro governo de aliança entre um jovem movimento antissistema e um partido de extrema direita prestou juramento nesta sexta-feira, 1.º, em Roma, sob a direção de Giuseppe Conte, um jurista novato na política, que prometeu uma política anti-austeridade e voltada para a segurança.

+ Itália aprova governo entre populistas e ultradireita

+ Crise política na Itália derruba euro, bolsas e ameaça economia da Europa

Depois de quase três meses de negociações, o Movimento 5 Estrelas (M5E) e a Liga alcançaram um compromisso com o presidente Sergio Mattarella, que exigia garantias relativas à manutenção da Itália na zona do euro. No domingo, o líder havia vetado uma primeira lista. Mas na noite de quinta-feira, ele assinou uma nova proposta.

+ Indicação de premiê pró-UE agrava crise e aproxima Itália de nova eleição

+ Populistas tentam deposição do presidente

Depois de Conte prestar juramento ante o presidente em cerimônia oficial no Palácio Quirinal, foi a vez dos demais ministros. O novo governo buscará a confiança parlamentar no início da próxima semana.

Professor de direito e advogado de 53 anos totalmente desconhecido do grande público quando foi escolhido há 15 dias pelo M5E e pela Liga, Conte se sentará ao lado de Mattarella no sábado para a parada militar do feriado nacional italiano. Ele também representará a Itália na próxima semana na cúpula do G-7 no Canadá.

Luigi Di Maio, líder do M5E, e Matteo Salvini, chefe da Liga, serão vice-primeiros-ministros para o Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, e o Interior, respectivamente.

Equilíbrio

O Ministério da Economia e das Finanças ficará a cargo de Giovanni Tria, professor de economia política próximo das ideias da Liga em questões tributárias, mas favorável à manutenção da Itália no euro. 

Inicialmente cotado para o cargo, Paolo Savona, economista de 81 anos que vê o euro como "uma prisão alemã", será ministro dos Assuntos Europeus. Ele será acompanhado pelo pró-europeu Enzo Moavero Milanesi, que trabalhou por 20 anos em Bruxelas e foi ministro dos Assuntos Europeus de Mario Monti e Enrico Letta (2011-2014), que será ministro das Relações Exteriores.

A equipe de 18 ministros, incluindo apenas 5 mulheres, coloca quase em pé de igualdade os dois aliados, mesmo que a Liga tenha recebido 17% dos votos nas eleições legislativas de 4 de março, contra mais de 32% dos votos para o M5E.

A reação dos mercados financeiros, febris nas últimas semanas, era aguardada ansiosamente nesta sexta-feira. Os investidores consideram o programa dos dois aliados perigoso para as contas públicas italianas, mas muitos temiam ainda mais um possível retorno às urnas nos próximos meses.

Nova abordagem

"Vamos trabalhar intensamente para alcançar os objetivos políticos que anunciamos no contrato do governo. Vamos trabalhar com determinação, para melhorar a qualidade de vida de todos os italianos", prometeu Conte na quinta-feira à noite após apresentar sua equipe. Esse "contrato de governo", negociado há dez dias e divulgado há duas semanas, vira resolutamente as costas à austeridade e aos ditames de Bruxelas e aposta em uma política de crescimento econômico para reduzir a enorme dívida pública italiana.

Promete uma redução da idade de aposentadoria, cortes de impostos e a introdução de uma "renda cidadã" de € 780 por mês - uma promessa fundamental do M5E.

Síntese de duas filosofias políticas diferentes, apresenta tanto a retórica do M5E sobre o meio ambiente, as novas tecnologias ou a moralização da vida pública que uma guinada em relação à segurança, com uma postura anti-imigrante e anti-Islã defendida pela Liga, aliada na Europa da Frente Nacional Francesa.

"Sem prometer milagres, posso dizer que gostaria que depois dos primeiros meses deste governo, tenhamos um país com um pouco menos de impostos e um pouco mais de segurança, um pouco mais de emprego e um pouco menos de imigrantes ilegais", disse Salvini na quinta-feira diante de seus partidários, confirmando o tom de sua campanha. Ele também prometeu "uma abordagem cultural ligeiramente diferente", com, por exemplo, "uma boa tesourada" nos fundos para a recepção dos requerentes de asilo. / AFP

Mais conteúdo sobre:
Itália [Europa] Giuseppe Conte

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.