Governo programa outra execução nos EUA

Antes de esfriarem as cinzas de Timothy McVeigh, autor do atentado de Oklahoma City, e enquanto os EUA vivem uma intensa polêmica em torno da pena capital, o governo federal já tem programada outra execução para este mês: em 19 de junho, o traficante de drogas texano Juan Raúl Garza enfrentará os mesmos procedimentos adotados para matar McVeigh. Em um país cada vez menos convencido da eficácia da utilização de uma câmara da morte, o cenário da próxima vez será o mesmo: a prisão federal de Terre Haute, no Estado de Indiana.A dupla execução - depois de a última registrada em âmbito federal ter ocorrido em 1963 - ocorre em momentos em que o país inteiro se questiona a respeito da pena capital, sem, no entanto, emitir sinais precisos de qualquer intenção de mudar as regras. Nos últimos meses, vários Estados modificaram suas legislações - onde as graves deficiências mentais serão de agora em diante uma atenuante - para aumentar a garantia dos detidos e reduzir o número de casos que terminem com uma injeção letal. A Corte Suprema, órgão máximo do Judiciário americano, parece ter captado as dúvidas do país ao estabelecer as novas garantias. Na segunda-feira, dia da execução de McVeigh, a Corte decidiu suspender uma pena similar para estudar melhor o caso. A execução-show do autor do atentado, acompanhada por uma cobertura jornalística que os EUA não viviam há décadas, contribuiu para colocar o tema da pena de morte sob os refletores. Mas no momento, em Terre Haute, a cidade de Indiana convertida em capital da pena de morte, trabalha-se nos preparativos da próxima execução, enquanto se mobilizam 1.300 jornalistas e 300 militantes a favor e contra a morte legalmente decretada.A menos que o presidente George W. Bush intervenha na última hora, em 19 de junho tudo acontecerá do mesmo jeito que nesta segunda-feira, e o traficante Garza, de 44 anos, condenado por ter assassinado um homem e ordenado o assassinato de outros dois, terá idêntico destino. "Não creio que haja a mesma multidão desta vez", comentou Jim Montgomery, um aposentado que vive perto da prisão federal. Garza é um hispânico, e só alguns poucos meios de comunicação locais solicitaram autorização para presenciar sua execução.

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